| Superando
as barreiras
"1492 - A Conquista do Paraíso"

Um dos grandes desejos da humanidade sempre foi o de transpor
barreiras, principalmente aquelas que pareciam fadadas a perdurar,
a existir para sempre, impossíveis de serem derrubadas.
Quando as cidades italianas dominavam o Mar Mediterrâneo,
entre o final da Idade Média e o início da modernidade,
e de forma inclemente impediam as demais nações
européias em formação de trafegar por
essa região, parecia aos homens de então que
superar os medos, os mitos, as distâncias e o poder
dos árabes (e de seus aliados italianos) era algo tão
distante e inatingível quanto chegar a Lua.
O que os fazia superar todas as dificuldades era o ardente
desejo de atingir as fontes das tão badaladas especiarias
(cravo, canela, gengibre, pimenta do reino, noz moscada,...)
e, dessa forma, garantir para seus próprios reinos,
fortunas incalculáveis provenientes do comércio
desses produtos em terras européias.
Portugueses, espanhóis, ingleses e franceses não
tinham idéia de como seu empenho iria mudar a face
do planeta. A América era ainda uma terra desconhecida,
povoada por diversos grupos indígenas, alguns dos quais
vivendo em níveis civilizacionais muito evoluídos
(como os Astecas ou os Incas), outros (entre os quais se incluem
os grupos que viviam no Brasil), segundo relatos dos próprios
europeus que aqui chegaram no início do século
XVI, pareciam viver no Paraíso Terrestre (o Éden).
A envergadura de tão grandiosa conquista ganhou em
1992, em virtude da comemoração mundial em torno
dos 500 anos do "descobrimento" da América,
um filme da autoria do diretor inglês Ridley Scott (responsável
por filmes cultuados como "Os Duelistas", "Blade
Runner" e "Gladiador").
Uma
das grandes qualidades dos trabalhos de Ridley Scott é
o apuro visual com que realiza suas obras, caracterizadas
por efeitos visuais de primeira qualidade, locações
que tentam nos passar uma idéia clara do ambiente em
que ocorreram os acontecimentos, figurinos baseados em pesquisas
aprofundadas sobre os padrões de vestuário do
período e reprodução de objetos e artefatos
característicos das épocas que procura apresentar
em seus filmes.
Com as atenções internacionais voltadas para
o produto final de seu trabalho, Scott fez com que "1492
- A conquista do Paraíso" viesse a ser um épico
de grandes qualidades, principalmente nos quesitos em que
é mestre (figurino, locações, reprodução
de época,...). Além disso, contou com o apoio
da música de Vangelis para dar uma aura mais clara
de vitória, conquista e êxtase, assim como de
religiosidade, a chegada de Colombo a América.

A atuação de Gerard Depardieu como Colombo é
convincente, assim como a história que nos é
contada. Tudo começa com a grande luta que o navegador
teve que empreender para conseguir o apoio necessário
para realizar sua viagem, sofrendo restrições
por parte dos religiosos, enfrentando o desdém dos
políticos e a indiferença dos comerciantes.
Somente com o apoio do banqueiro Santangél e da rainha
Isabel da Espanha (protagonizada por Sigourney Weaver, um
tanto quanto deslocada no papel) foi possível reverter
sua perspectiva e permitir que ele viesse a increver seu nome
na eternidade.
O
grande mérito do filme reside em nos colocar lado a
lado com a trajetória de Cristóvão Colombo,
acompanhando-o nas caravelas, sofrendo com ele os reveses
de uma viagem longa e desgastante e triunfando com o desembarque
em terras americanas em 1492. A seqüência da chegada
é deslumbrante, os homens se jogando ao chão,
os passos de Colombo, as cores das bandeiras e os sons que
acompanham esse momento permitem-nos entender como foi grandioso
esse acontecimento (a magia do cinema reside em dar ao espectador
a oportunidade de vivenciar situações como a
da chegada dos europeus na América, dando a esse momento
um certo glamour, uma sensação de realização,
de grandiosidade; se pudéssemos estar vendo Colombo
no instante em que desembarcou, provavelmente ficaríamos
desapontados, faltariam os quesitos que tornam os filmes tão
charmosos e encantadores).
Como
a história dos homens é marcada por vitórias
e derrotas, os momentos de sofrimento e humilhações
também aparecem no filme. Colombo passou rapidamente
de homem festejado a inimigo do estado, seus méritos
como navegador foram considerados como indiscutíveis,
porém, sua capacidade como administrador deixou muito
a desejar. Seus projetos em terras americanas foram grandes
fracassos e, as despesas que realizou tornaram-no indesejado
na corte espanhola.

Como aula de história o filme funciona bem, cabe ao
professor destacar os aspectos relacionados à liberdade
artística e a capacidade de criação de
diretores, atores e roteiristas de forma a mostrar que, por
mais que se tente reproduzir da forma mais aproximada possível
um longa-metragem e um acontecimento histórico, muitas
são as diferenças e as lacunas não preenchidas.
Além
do mais, na análise da história, muitas são
as interpretações e várias foram às
obras produzidas sobre cada tema. Vale a pena ver, mas, deve-se
ter em mente a necessidade de procurar e ler material de apoio
para comparar as imagens com o que foi escrito!
João Luís Almeida Machado
Mestre em Educação, Arte e História
da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São
Paulo); Professor universitário atuando na Faculdade
Senac em Campos do Jordão; Professor de Ensino Médio
e Fundamental em Caçapava, SP; escreve semanalmente
na coluna Cinema e Educação do Portal Planeta
Educação
Comentários, sugestões e críticas. Envie
e-mails para:
profjoaoluis@planetaeducacao.com.br
Ficha Técnica
1492, A Conquista do Paraíso
(1492, Conquest of Paradise)
País/Ano de produção:-
EUA/Fra/Esp, 1992
Duração/Gênero:- 140
min., drama/épico/aventura
Disponível em vídeo e DVD
Direção de Ridley Scott
Roteiro de
Elenco (vozes):- Gérard Depardieu,
Sigourney Weaver, Armand Assante, Fernando Rey, Angela Molina,
Tcheky Karyo.
Links
- http://e-pipoca.ig.com.br/filmes_zoom.cfm?id=138
- http://www.adorocinema.com/filmes/1492/1492.htm
- http://www.cineguia.com.br/index.shtml?cod_filme=DNA2206
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