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Fazendo
anotações sobre o filme escolhido
Antes
de trabalhar com a turma, ou seja, como uma etapa fundamental
que deve ser realizada previamente para que sua aula utilizando
um filme dê certo, você deve fazer anotações
sobre o material escolhido. Depois daquela sessão de
relaxamento, em frente da televisão, com um acompanhante
ao seu lado, tomando um refresco e comendo umas pipoquinhas,
chegou a hora de arregaçar as mangas e suar a camisa.
É hora de escrever sobre o que viu. Parece muito fácil
à primeira vista, o que procede se pensarmos que o
essencial é reproduzirmos o que nos foi apresentado.
No entanto, nosso olho clínico, de especialistas em
determinados assuntos tem que ir mais longe do que aquilo
que nossos alunos ou outras pessoas que não dominem
o assunto conseguem!
O
que eu quero dizer com isso? Muito simples, se você
é professor(a) de literatura e tem pela frente um filme
como Romeu e Julieta, é de se supor que
seus conhecimentos sobre Shakespeare e sobre essa clássica
obra sejam muito mais extensos do que o de um mortal comum,
que não teve a oportunidade de ler e reler uma das
maiores histórias de amor de todos os tempos. Por esse
motivo tão singelo, espera-se que você consiga
perceber, no longa-metragem sobre a referida obra da literatura
inglesa, virtudes e defeitos que outras pessoas não
vislumbrem!
Portanto,
coloque sua leitura sobre o grande mestre das letras em dia
e faça uma nova visita a clássica história
dos Montecchio e dos Capulettos. Tendo feito isso, seu encaminhamento
na hora de escrever ficará mais fácil pois,
além de traçar linhas sobre as imagens disponibilizadas
no filme, você poderá compará-las com
a obra original, de onde foram tiradas as idéias que
deram vida a película! Se você conhecer o autor
da história, poderá em suas anotações
colocar observações a respeito do escriba
que tenham conexão com os aspectos apresentados na
versão para as telinhas de uma de suas obras. O mesmo
é válido para outras áreas do conhecimento,
por exemplo, se sua intenção for trabalhar o
filme Guerra de Canudos do cineasta Sérgio
Resende, aprofunde-se no tema lendo trabalhos de historiadores
(clássicos ou recentes) e, não se esqueça
de dar uma passada pelo fantástico trabalho de Euclídes
da Cunha, Os Sertões.
Nossa,
esse trabalho é muito mais complicado do que eu imaginava!
Não
se desespere, lembre-se que a maior parte desses textos, autores
e assuntos já foram estudados por você. E continuam
fazendo parte de seu cotidiano, nas aulas que prepara e dá
para seus alunos! Essas recomendações que apresento
tem por objetivo fazer com que você (professor) não
deixe de estar por dentro dos assuntos até mesmo para
evitar surpresas desagradáveis no dia em que estiver
trabalhando o filme em sala de aula (perguntas que não
consegue responder, dúvidas de última hora,
o constrangimento de se mostrar despreparado,...).
Vamos
continuar, retornemos ao assunto principal: as anotações.
O ideal num trabalho de pesquisa e levantamento de dados,
seja ele feito em relação a um livro, a um artigo
científico, a uma reportagem, a uma música ou
a um filme é que, após a primeira incursão
pelo recurso, você faça uma anotação
dos principais pontos trabalhados no recurso tendo o mesmo
ao seu lado e, parando para escrever suas considerações
na medida do necessário. Ligue seu vídeo e sua
TV uma segunda vez, acione o botão play
e fique com o controle remoto na mão para teclar stop
toda vez que for conveniente ou necessário. Deixe transcorrer
trechos (cenas) completos para que você tenha uma noção
clara de todas as informações que foram mostradas
naquela sequência. Se achar mais fácil, anote
as idéias mais importantes separando-as em tópicos
(se considerar melhor a criação de textos curtos,
opte por ela, não há regras fixas ou definitivas
em relação a isso!).
Se
sua intenção é a de usar apenas sequências
selecionadas do filme, atenha-se a elas e procure o máximo
de detalhes para enriquecer suas anotações.
Ao utilizar-se do filme inteiro, o trabalho de escrever sobre
o material deve abordar todos os minutos do filme, todas as
tramas e personagens enfim, cada mínimo referencial
apresentado!
Ao
terminar essa pesquisa minuciosa, tenha o trabalho de ler
cada uma das observaçoes feitas. Veja se você
foi claro ao passar para o papel as observações
sobre o filme. Coloque-as por escrito como se você estivesse
preparando-as para que fossem passadas para seus alunos (tendo
sido formuladas num linguajar acessível, sóbrio,
adequado e informativo; estando voltadas para o nível
de informação que possuem os estudantes com
os quais irá trabalhar).
Se
você achar conveniente, reescreva-as como se fosse um
texto. É um bom exercício para repassar as informações
e perceber até que ponto tudo ficou claro para você
mesmo. De posse desse material escrito você verá
que criar atividades para trabalhar com os alunos ficará
sendo muito mais simples e fácil. Os atalhos já
estarão a seu alcance, assim como, eventuais dúvidas
serão respondidas sem grandes dificuldades. A elaboração
de sua estratégia de trabalho (nosso próximo
assunto) será facilitada e provavelmente, mais acertada
tendo-se em vista o pleno conhecimento do material (obtida
em função do material escrito produzido) e a
revisão sobre o tema feita por você. Ao apresentar
o filme para os alunos, você será capaz de chamar-lhes
a atenção para todos os aspectos que considerar
fundamentais nos trechos visualizados.
É
como dizem, no caminho que trilhamos sempre existirão
pedras, elas podem nos fazer dar voltas maiores ou ainda machucar
nossos pés, no entanto, elas tornam nossa chegada um
momento de grande satisfação. Para que o filme
seja um recurso de ótimos resultados se apresentam
algumas pedras no caminho. Não tenha medo de superá-las,
o sabor da conquista que o espera no final compensa qualquer
bolha ou calo nos pés (ou nas mãos, já
que escrever é o caminho que temos que trilhar) que
você possa ter!
João
Luís Almeida Machado
Mestrando em Educação, Arte e
História da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie,
em São Paulo); Professor universitário atuando
na Unitau (Universidade de Taubaté) e na Faculdade
Senac em Campos do Jordão; Professor de Ensino Médio
e Fundamental em Caçapava, SP; Colunista para assuntos
de Educação no Portal Planeta Educação
(www.planetaeducacao.com.br).
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