| Num
futuro próximo e sombrio...
"Blade Runner - O Caçador de Andróides"
 
Phillip
K. Dick é, com certeza, um dos maiores nomes da ficção
científica contemporânea.
Pouco
conhecido de muitos, seus trabalhos se tornaram, no entanto,
obras produzidas e dirigidas por diretores do calibre de Steven
Spielberg, Paul Verhoeven e Ridley Scott. Os filmes derivados
de seus contos e histórias geraram bilheterias fabulosas
e, com certeza, deram origem a discussões acerca de
assuntos complexos (e polêmicos) e da visão nebulosa
do futuro, freqüentes na obra do escritor.
O
texto "Do Androids Dream of Eletric Sheep?", por
exemplo, deu origem a um dos filmes mais cultuados dos últimos
25 anos, "Blade Runner" do diretor Ridley Scott
(o mesmo de "Os Duelistas", "1492 - A Conquista
do Paraíso" e "Gladiador", entre outros
grandes sucessos do cinema).
Motivos
para que o filme viesse a ser cultuado podem ser vistos desde
o princípio da exibição:- visual futurista
de grande impacto (onde se destacam grandes construções
moderníssimas, caracterizadas pela utilização
exagerada de vidro e ligas metálicas), a névoa
que aparece ao longo de todo o decorrer da história
e o tom escuro que nos dão a sensação
de estarmos presenciando um filme noir (aqueles filmes policiais
dos anos 1940-1950, com detetives usando sobretudo e tendo
um grande mistério para resolver, tudo dentro dessa
atmosfera cinza, escura, sombria), a presença de grandes
estrelas do cinema (Harrison Ford, Sean Young, Daryl Hannah
e Rutger Hauer), a fantástica trilha sonora de Vangelis,...
A
despeito de todas essas variáveis que tornam o filme
um grande sucesso, o maior mérito reside na história
de Phillip K. Dick. Ao nos defrontarmos com o dilema dos replicantes
(andróides feitos a imagem e semelhança dos
homens), verdadeiros escravos desse futuro previsto em "Blade
Runner", é difícil não pensarmos
nas transformações que vivenciamos nos últimos
anos, promovidas a partir de pesquisas e projetos desenvolvidos
nas áreas de robótica, bioengenharia, biotecnologia,
eletrônica e sistemas operacionais.
Que
futuro nos aguarda? A prosperidade e a felicidade prometidas
ao homem pela ciência e pela tecnologia desde o século
XIX? O sucateamento e a destruição dos recursos
naturais que nos levarão ao fim da humanidade? O confronto
entre os homens e os sistemas e vidas artificiais por eles
criados?
O
Filme
 
Rick
Deckard (Harrison Ford) é um Blade Runner, nome dado
a uma unidade especial da polícia, no ano de 2019,
especializada na captura ou na destruição dos
replicantes (andróides tão aperfeiçoados
que não apenas se parecem com os seres humanos, também
tem sentimentos, sangram e, em alguns casos, tem memórias
implantadas para que possam ter uma história de vida).
Inativo
e, pouco disposto a sair dessa condição, Deckard
é obrigado a voltar ao trabalho em virtude da fuga
de modelos Nexus (os mais avançados entre os replicantes)
de uma colônia de trabalho em outro planeta. Esses replicantes
se destacam por sua grande força, sua notável
habilidade e mobilidade e por suas personalidades marcantes.
Além de tudo isso, são ainda muito inteligentes.
Como
todo o detetive que se preza, Deckard inicia suas investigações
pela corporação Tyrell, onde foram fabricados
os replicantes. Descobre que há uma replicante trabalhando
diretamente para o dono da empresa. Trata-se de Rachel (Sean
Young), em cuja memória foram implantadas as lembranças
de uma falecida sobrinha de Tyrell.
O
problema do detetive, no entanto, são os outros replicantes,
que soltos na grande metrópole constituem um perigo
eminente de violência e mortes. O que torna ainda pior
a história é que eles estão atrás
de uma solução para o seu mais grave dilema,
ou seja, o curto tempo de vida de que dispõe (estão
programados para viver somente quatro anos). Para resolver
essa situação, não colocam empecilhos
para sua ação...
Obs.
O filme "Blade Runner" tem duas versões,
a original lançada em 1982 pela Warner Brothers e renegada
pelo diretor Ridley Scott (que não gostava da narração
em "off" do personagem de Harrison Ford que foi
colocada no trecho final do filme e que fez severas críticas
aos cortes e a edição da película) e
uma outra, lançada em 1993, batizada de versão
do diretor (feita dentro dos conformes propostos por Scott).
Procure e assista a versão lançada originalmente
nos cinemas em 1982, ela é mais densa, profunda e reflexiva.
Aos
Professores
 
1-
Dilemas existenciais atormentam o homem desde seu
surgimento no planeta. Essas dúvidas aumentaram muito
com o advento do período contemporâneo, de bases
industriais, num mundo sem fronteiras e tomado pela tecnologia.
Não são poucas as pessoas que constantemente
se perguntam o que acontecerá com a humanidade dentro
em breve. Há visões otimistas, algumas que pretendem
ser realistas e outras um tanto quanto pessimistas. De que
forma entendemos o mundo em que vivemos? Que perspectivas
temos daquilo que irá acontecer no futuro? O que gostaríamos
de legar para as gerações futuras? De que forma
contribuímos com as mudanças que estão
acontecendo no mundo e determinam o nosso futuro? Pergunte-se
sobre o amanhã e faça com que seus alunos também
o façam; Inicie um debate acerca das possibilidades
que nos esperam.
2-
As dúvidas lançadas no final do filme pelo personagem
de Rutger Hauer nos fazem pensar a respeito do destino que
a humanidade reserva para algumas de suas criações,
como os clones e a inteligência artificial. Clones podem
ser considerados da mesma forma que seres humanos? Serão
tratados de que forma pela sociedade? Terão assistência
da lei em caso de preconceito? Qual a motivação
real para a pesquisa e a busca incessante da inteligência
artificial? A inteligência artificial substituirá
o homem em suas atividades? O que caberá ao homem depois
do surgimento dessas criações? Muitas outras
dúvidas podem surgir e devem alimentar esse debate
crescente, que tende a ser cada vez maior e mais presente
em nosso cotidiano...
3-
Por que a escola estimula em demasia o estudo da lógica,
da linguagem e das ciências humanas e naturais e praticamente
despreza qualquer trabalho em termos daquilo que nos faz genuinamente
humanos, nossos sentimentos? Quantas vezes paramos para nos
perguntar quem são nossos alunos, de onde vem, como
vivem, com quem se relacionam e tantas outras dúvidas
essenciais para a compreensão de nossa clientela? Pouco
ou nada sabemos sobre eles, o que aumenta a possibilidade
de termos dificuldades em nosso relacionamento em aula. Não
seria isso a comprovação de que carecemos de
um trabalho a se realizar na área dos sentimentos?
Até que ponto sabemos realmente lidar com isso? Será
que, ao menos, nos conhecemos e damos a devida atenção
a nossos próprios anseios?
João
Luís Almeida Machado
Mestre em Educação, Arte e História
da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São
Paulo); Professor universitário atuando na Faculdade
Senac em Campos do Jordão; Professor de Ensino Médio
e Fundamental em Caçapava, SP; escreve semanalmente
na coluna Cinema e Educação do Portal Planeta
Educação (www.planetaeducacao.com.br).
Envie e-mails de comentários, sugestões e críticas
para:
profjoaoluis@planetaeducacao.com.br
Ficha
Técnica
Blade Runner - O Caçador de Andróides
(Blade Runner)
País/Ano de produção:-
EUA, 1982
Duração/Gênero:- 117
min., Ficção
Disponível em VHS e DVD
Direção de Ridley Scott
Roteiro de Hampton Francher e David Webb
Peoples
Elenco:- Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean
Young,
Daryl Hannah, Edward James Olmos, Joanna Cassidy, M. Emmet
Walsh .
Links
-
http://www.cineguia.com.br/index.shtml?cod_filme=CNA0177&rg=0/
- http://www.adorocinema.com/filmes/blade-runner/blade-runner.htm
- http://us.imdb.com/Title?0083658
(em inglês)
- http://e-pipoca.ig.com.br/filmes_zoom.cfm?id=739
- http://www.rottentomatoes.com/m/BladeRunner-1002553/
(em inglês)
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