| Escolhas
decisivas
“O Céu de Outubro”

Que perspectiva poderia ter o filho de um
mineiro de carvão de uma pequena cidade do interior
dos Estados Unidos? Poderia imaginar-se fora da profissão
exercida pelo próprio pai, como funcionário
da única empresa instalada no local onde vive? Alimentar
sonhos como a universidade e o aprofundamento nos estudos
em áreas técnicas e científicas não
estariam muito além do que a vida reservava para ele?
Como superar o que parecia ser o destino da grande maioria
dos jovens que ali viviam?
Perguntas como essas servem de guia condutor
na história verídica do filme “Céu
de Outubro”, onde Homer Hickam ( personagem do ator
Jake Gyllenhall) tem que superar os obstáculos criados
pela vida para atingir suas pretensões.
Seu pai, John Hickam (Chris Cooper), um homem
extremamente conservador, considera que trabalhar na mina
de carvão é ocupação digna que
reverte rendimentos certos ao final do mês. Sustentar-se
e sobreviver com alguma dignidade lhe parecem os caminhos
corretos a serem seguidos pelo jovem Homer. Qualquer devaneio
ou fantasia alimentada pelo filho constituem tolices que devem
ser a qualquer custo tiradas da cabeça do rapaz.
Na
escola, com o apoio incisivo de uma de suas professoras, Frieda
Haley (vivida pela atriz Laura Dern), Homer leva adiante o
projeto de criar foguetes. Estávamos no fim da década
de 1950, a passagem do satélite russo Sputnik e as
primeiras viagens ao redor do planeta constituíam os
primeiros passos da humanidade rumo ao espaço. Essa
temática encantava os adolescentes e fazia com que
em suas noites de sono, a viagem interplanetária fosse
tão popular quanto o rock and roll, a jaqueta de couro
e o cabelo com gel (ou brilhantina, nos conformes da época).

Os foguetes criados pelo jovem Homer com o
auxílio de alguns amigos entusiastas vão aos
poucos tornando-se referência na cidade. O que, à
princípio, era motivo da zombaria alheia, principalmente
em decorrência das falhas e explosões, torna-se,
aos poucos, uma das atrações da cidade. As experiências
começam a ser acompanhadas por alguns dos garotos e
garotas da escola e, posteriormente, por uma boa parcela da
comunidade.
Apesar dos riscos iminentes e da falta de
apoio da família, os jovens transformam a brincadeira
em projeto para a feira de ciência da escola. Passam,
inclusive, a pleitear a possibilidade de participar da feira
estadual de ciência onde ganhariam mais projeção
e visibilidade para seus projetos.
O duro cotidiano do pai, calcado numa experiência
de vida sem grandes perspectivas, onde as possibilidades restringem-se
ao trabalho pesado na produção de carvão,
é o maior empecilho entre o sonho e realização
do projeto de ciência de Homer. Os conflitos entre pai
e filho tornam-se cada vez mais frequentes e a chance de resolver
tudo através do diálogo parece cada vez mais
distante. Para o pai, seria impossível conciliar estudo
com trabalho e, em sua visão estreita de mundo, um
bom emprego constituiria uma opção mais acertada
do que continuar estudando, buscando uma formação
técnica ou universitária, realidades distantes
para uma família de pessoas simples como eles.
A vida restringia-se a cidade onde moravam.
Os horizontes reduzidos impediam que ele percebesse que ao
estudar, o filho poderia estar se garantindo um futuro muito
mais promissor do que aquele com o qual ele próprio
havia se habituado.
Um
acidente na mina de carvão parece definir os rumos
da história de Homer. A impossibilidade do pai continuar
a trabalhar o leva a abandonar os estudos e se tornar o responsável
pelo sustento de sua casa. Tudo levava a crer que ele continuaria
o ciclo de vida de gerações de jovens daquela
pequena cidade, vivendo modestamente, aspirando pequenas promoções
e aumentos de salário e tendo que encarar uma existência
profissional miserável, muito distante daquilo que
pretendia.

Quantas vezes não vemos jovens abdicando
de suas escolhas profissionais por conta de intervenções
de seus pais? Quantos não são os casos de garotos
e garotas que escolheram uma determinada profissão
por conta das possibilidades financeiras desse tipo de trabalho,
abdicando da satisfação profissional de trabalhar
numa área que lhes fosse mais interessante e prazerosa?
Que tipo de profissional surge numa situação
em que a escolha profissional é orientada pelos pais
ou por motivações como salários?
Homer se encaminhava para uma história
de final muito parecido com o de muitos jovens que tiveram
que abrir mão de seus sonhos e projetos de vida para
se dedicar a existir. Não fosse a obstinação
e a garra do jovem, de seus amigos e de sua professora e nem
ao menos teríamos a possibilidade de ver esse filme.
A virada na vida de Homer e o seu sucesso profissional como
engenheiro da Nasa constituem o desfecho de uma história
simples e emocionante.
“O sonho não acabou” dizia
John Lennon. Todos os dias, ao acordar, as pessoas precisam
acreditar nas escolhas que fizeram e vivê-las intensamente.
Uma das mais decisivas e importantes opções
que fazemos em nossas vidas é a escolha da profissão.
Ser conduzido nesse ato por outras pessoas ou fatores alheios
aos seus interesses ou ainda não poder optar significa
sacrificar uma parcela de tempo, saúde e dignidade
muito expressiva. Trabalhar numa profissão que nos
satisfaça é importante em todos os sentidos,
seja no psicológico, na saúde física,
na satisfação pessoal, no equilíbrio
emocional e, mesmo, no financeiro e material!
Aos professores cabe participar da orientação
dos estudantes, estimular seus interesses através de
suas aulas, fomentar feiras de ciências, exposições
artísticas, organizar festivais de música, organizar
visitas a universidades ou locais de trabalho de vários
profissionais, estimular concursos de poesia ou mesmo ajudar
com informações sobre cursos e profissões.
Ao fazer isso, permitimos que nossos alunos tenham conhecimento
e liberdade para fazer suas próprias escolhas!
João
Luís Almeida Machado
Mestrando em Educação, Arte e
História da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie,
em São Paulo); Professor universitário atuando
na Unitau (Universidade de Taubaté) e na Faculdade
Senac em Campos do Jordão; Professor de Ensino Médio
e Fundamental em Caçapava, SP; Colunista para assuntos
de Educação no Portal Planeta Educação
(www.planetaeducacao.com.br).
Envie e-mails de comentários, sugestões
e críticas para:
profjoaoluis@planetaeducacao.com.br
Ficha
Técnica
O Céu de Outubro
Título Original: (October Sky)
País/Ano de produção:
EUA, 1999
Duração/Gênero: 114 min.,
Drama
Disponível:- VHS e DVD
Direção de Joe Johnston
Roteiro de Lewis Colick
Elenco: Jake Gyllenhall, Chris Cooper, Laura
Dern, Chris Owen.
Links
Resenhas, comentários e críticas:
http://www.adorocinema.com/filmes/ceu-de-outubro/ceu-de-outubro.htm
http://epipoca.ig.com.br/filmes_zoom.cfm?id=337
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