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inferno das drogas
"Eu, Christiane F., drogada, prostituída,..."

Quando o livro foi lançado, na década de 1980,
ainda adolescente tive a oportunidade de ler em primeira mão.
Tratava-se de um depoimento forte, marcante, digno de ser
lido apesar de toda a crueza da vida daqueles jovens alemães
e de seu envolvimento com drogas pesadas. Fiquei assustado
e, apesar de não ter me envolvido com cocaína,
maconha e outros entorpecentes (até por conta de minhas
atividades esportivas, que me garantiram uma vida das mais
saudáveis), passei a abominar ainda mais qualquer tipo
de droga.
Todos
os anos vemos campanhas e mais campanhas que tentam afastar
os jovens (principalmente) do uso de drogas. No geral elas
são pouco efetivas e, não garantem uma real
diminuição no número de usuários.
Recentemente, em virtude de uma campanha veiculada através
de uma novela da Rede Globo, tivemos informações
de um expressivo crescimento na procura por tratamento verificou-se
em várias instituições de todos os estados
do país. O tratamento dado ao tema nessa novela foi
de choque, com cenas fortes mobilizando alguns dos personagens
e, sendo intercaladas com depoimentos emocionados e assustadores
de usuários e familiares de drogados.
Tanto
o livro quanto o filme "Eu, Christiane F., drogada, prostituída,..."
tem como grandes atributos o fato de trabalharem de uma forma
semelhante a da produção global. Examinando
o universo das drogas de quem transitou pelas bocas onde se
encontrava qualquer tipo de entorpecente, de quem utilizou-se
de cigarros de maconha (os tais tapinhas que não doem,
mas que causam consequências perigosas para o organismo)
ou cheirou cocaína, de pessoas que injetaram drogas
em seus corpos ou que se venderam nas ruas para obter recursos
e comprar a maldição em forma de ácidos
lisérgicos, heroína ou cocaína.
Das
dificuldades vividas dentro de casa ao contato com as drogas,
da escola para as ruas de Berlim, de um quarto fétido
a banheiros imundos de locais públicos. Todo esse itinerário
vivido pela adolescente Christiane é apresentado de
forma nua e crua, seja na obra literária, seja no filme.
As sequências descritas no papel, em que ela tenta traduzir
as sensações de seu corpo ao entrar em contato
com os entorpecentes ou os momentos em que estava se drogando,
são capazes de nos enojar e, ao mesmo tempo, nos despertam
um grande questionamento, relativo a nossa incapacidade de
compreender o que move um ser humano a fazer isso consigo
mesmo.
Dos
cenários deprimentes aos momentos de dor e sofrimento
com as crises de abstinência sofridas pelas pessoas,
do emagrecimento (e consequente infecção por
doenças) a morte dos jovens, da perda da auto-estima
ao fundo do poço da prostituição, nada
parece escapar da narrativa de Christiane e das lentes do
diretor alemão Ulrich Edel.

Fica então a dúvida, o que fazer? Como ajudar
nossos jovens a escapar dessa jornada sem volta? Que caminhos
seguir para evitar o sofrimento das famílias? A dependência
pode ser revertida posteriormente? Que seqüelas podem
surgir do consumo dessas drogas? Que reações
elas provocam no organismo?
São
dúvidas que os pais, professores e interessados em
geral costumam ter e que, muitas vezes não conseguem
responder. Uma das constatações a que podemos
chegar, ao entrar em contato com um filme como "Christiane
F" é que, apresentar os fatos, da forma como os
conhecemos, sem maiores delongas ou firulas, para os jovens
pode auxiliar. As consequências nefastas para a vida
de cada um deles, visualizada na figura de pessoas como Christiane
ou Detlef, pode assustá-los, amedrontá-los e,
dessa forma, afastá-los das drogas.
O
problema é que, com o passar dos anos, o número
de jovens envolvidos não diminuiu. Há uma série
de outros problemas que contribuem para isso, como a falta
de perspectivas futuras, a ausência de diálogo
e compreensão em casa, o imobilismo dos educadores
e campanhas bem intencionadas porém pouco efetivas.
Some-se a isso a falta de informação e a quantidade
de dinheiro envolvida no tráfico e começamos
a entender os motivos da proliferação das drogas.
O primeiro caminho é buscar a informação
e, de preferência, acompanhado de seus filhos!

Obs. Como o filme aborda uma temática
forte, ele não é aconselhável para crianças
ou adolescentes desacompanhados de seus pais. Sugiro que respeite-se
uma idade mínima de 15 ou 16 anos para assistir esse
filme.
João
Luís Almeida Machado
Mestre em Educação, Arte e História
da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São
Paulo); Professor universitário atuando na Faculdade
Senac em Campos do Jordão; Professor de Ensino Médio
e Fundamental em Caçapava, SP; Colunista para assuntos
de Educação no Portal Planeta Educação
Envie e-mails de comentários, sugestões e críticas
para:
profjoaoluis@planetaeducacao.com.br
Ficha Técnica
Eu, Christiane F., drogada, prostituída,...
País/Ano de produção:
Alemanha, 1981
Duração/Gênero: 123 min.,
Drama
Disponível:- VHS e DVD
Direção de Ulrich Edel
Roteiro de Hermann Weigel
Elenco: Thomas Haustein, Natja Brunckhors,
Jens Kuphal, Christiane Reichelt.
Links
- http://www.cineguia.com.br/index.shtml?cod_filme=CNA21650&rg=0
- http://us.imdb.com/Title?0082176
(em inglês)
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