| Saboreando
as emoções
"Como água para chocolate"

Alfonso
Arau deu destaque para o cinema mexicano a partir dessa produção,
sucesso de público e contando com críticas positivas
em todo o mundo (premiado no Festival de Cinema de Gramado).
Filme diferenciado quanto a sua estética e produção
(pode nos parecer um tanto quanto escuro, de ritmo demasiado
lento), agrada a públicos sensíveis, passíveis
de serem conquistados por uma história de amor impossível,
distante.
O
cinema latino-americano (entre os quais se encontra o brasileiro)
sempre viveu um grande dilema quanto aos caminhos que deveria
seguir. A encruzilhada parecia indicar apenas duas opções,
a do cinema de arte e a do cinema comercial. Tinhamos que
escolher entre a estética européia e a norte-americana,
sem qualquer alternativa no sentido de ditar nosso próprio
ritmo, de criar nossa própria estética, de "latinizar"
a sétima arte.
O
final dos anos 1980 e a década de 1990 parecem ter
permitido o surgimento de uma nova geração de
cineastas latino-americanos que se mostra mais autônoma
em relação aos encaminhamentos propostos por
Hollywood ou por Paris (Roma, Londres, Madrid,...). Nomes
como o de Arau e de Walter Salles tem se firmado como o de
realizadores competentes que conseguiram unir arte e público,
estética e lucro, sem que isso se transformasse numa
heresia. Produções de sucesso tem brotado não
apenas no Brasil e no México, mas também em
países da América Central, nos vizinhos andinos
e platinos. Apesar das crises políticas e econômicas.
Imaginem sem elas...
A História

Numa
comunidade marcada pelos hábitos simples e pela vida
rústica, o amor de uma jovem (chamada Tita, interpretada
por Lumi Cavazos) é reprimido por uma tradição
estabelecida à gerações. Como filha mais
nova, deve ficar solteira para poder cuidar da mãe
na velhice. Apaixonada por Pedro (Marco Leonardi, que já
havia trabalhado no fantástico "Cinema Paradiso"),
um jovem promissor da região onde vive e, sendo correspondida
nesse amor, vê sua mãe rejeitar o pedido de casamento
feito pelo rapaz e, para piorar a situação,
sugerir que o moço se case com sua irmã mais
velha.
Apesar
de, aparentemente, ter se conformado com a situação,
Tita não consegue esquecer o grande amor e, através
de sua suprema habilidade culinária, introduz em suas
iguarias o sabor de uma ardente paixão não correspondida.
Seus pratos despertam no jovem Pedro a certeza de que o seu
casamento não o afastou dos pensamentos de Tita.
A
mãe, sempre castradora, tenta a todo custo evitar qualquer
encontro amoroso dos jovens e, por isso, vigia atentamente
os passos de Tita. Só não consegue conter a
comunicação estabelecida por meio dos alimentos,
do paladar.
Aos Professores

1-
Como se estabelece a comunicação? Apenas por
meio da fala, da escrita e da leitura? O filme de Alfonso
Arau nos desperta para outras possibilidades no campo da comunicação
ao transformar o paladar num instrumento de envio e recepção
de mensagens. Cabe uma excelente discussão sobre o
tema em filosofia, em arte e na área de códigos
e linguagens (português, espanhol, literatura).
2-
O filme é proveniente de um romance de grande sucesso
produzido por Laura Esquivel. Utilizar os dois recursos para
avaliar a eficácia de cada um deles e, abrir uma possibilidade
de discussão acerca das vantagens e desvantagens do
cinema e da literatura pode despertar os alunos para novas
leituras e novos filmes e ampliar o universo cultural dos
mesmos.
3-
A possibilidade de trabalhar com escolas cinematográficas
de estéticas diferenciadas, como a mexicana, ajuda
a quebrar resistências firmadas no público jovem
em virtude do monopólio das produções
norte-americanas em nossos cinemas e locadoras. Viva a diversidade!
4-
A compreensão dos homens e de suas comunidades passa
necessariamente pelo estudo de seus hábitos cotidianos,
como se prega na Nova História, da escola francesa
dos Annales. O estudo da alimentação e da gastronomia
são parte essencial desse estudo. O filme de Arau pode
ser ponto de partida para um exame dos costumes alimentares
da cidade e da região onde vivemos. É uma boa
dica de pesquisa a ser pedida aos estudantes!
João
Luís Almeida Machado
Mestrando em Educação, Arte e
História da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie,
em São Paulo); Professor universitário atuando
na Unitau (Universidade de Taubaté) e na Faculdade
Senac em Campos do Jordão; Professor de Ensino Médio
e Fundamental em Caçapava, SP; escreve semanalmente
na coluna Cinema e Educação do Portal Planeta
Educação (www.planetaeducacao.com.br).
Envie e-mails de comentários, sugestões e críticas
para:
profjoaoluis@planetaeducacao.com.br
Ficha
Técnica
Como
água para chocolate
(Como agua para chocolate)
País/Ano
de produção:- México, 1992
Duração/Gênero:- 144
min., Drama/Romance
Disponível em vídeo e DVD
Direção de Alfonso Arau
Roteiro de Laura Esquivel (baseado em romance
de Laura Esquivel)
Elenco (vozes):- Marco Leonardi, Lumi Cavazos,
Mário Iván Martínez, Regina Torné,
Ada Carrasco, Yareli Arizmendi, Claudette Maillé.
Links
-
http://us.imdb.com/Title?0103994
(em inglês)
- http://set.peixes.uol.com.br/set/video/video.asp?cod=1215&sub=4
- http://www.cineguia.com.br/index.shtml?cod_filme=CNA21820&rg=0
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