| Reencontrando
a literatura clássica nos cinemas
"O Conde de Monte Cristo"

Em
minha infância e adolescência convivi com os livros.
Me lembro com enorme clareza, entre os livros que compunham
a biblioteca da família, de uma coleção
entitulada "Tesouros da Juventude", editada pela
Abril Cultural. Eram livros com capa dura, todas elas de cores
diferentes; traziam um conteúdo realmente fabuloso
e digno de ser nomeada como tesouro, eram clássicos
do porte de "Robinson Crusoé", "A Ilha
do Tesouro", "As Aventuras de Tom Sawyer",
entre muitos outros títulos de grande valor e qualidade.
Entre
eles encontrava-se também uma obra de Alexandre Dumas
(autor conhecido mundialmente pela obra "Os três
mosqueteiros") chamada "O Conde de Monte Cristo".
Título pouco sugestivo para um garoto com aproximadamente
10, 11 anos. No entanto, incentivado pelo grande amor que
sentia pelas histórias contidas nos livros, não
tive dúvidas, li a aventura de Dumas. Foi um dos encontros
literários marcantes dessa minha etapa inicial em contato
com as letras. Nunca mais me esqueci daquela história...
Grandes
histórias como essa merecem ser passadas de geração
para geração. São tão ricas que
se tornam clássicos autênticos, jamais morrendo
ou sendo esquecidos por completo no imaginário coletivo.
Recentemente li uma entrevista de um dos grandes críticos
literários norte-americanos em que o mesmo tecia pesadas
críticas a série de livros escrita pela inglesa
J.K. Rowling, protagonizadas pelo bruxinho Harry Potter. Acredito
que Dumas (Twain, Lobato, Dickens e tantos outros), hoje louvados
pelos críticos especializados, também sofreriam
resistências e pesadas censuras...
A
grande alternativa ao se deparar com as versões filmadas
desses clássicos seria poder ler os mesmos antes de
ver os filmes, caso isso não seja possível,
ao menos procurar os livros depois e saborear um pouquinho
mais de detalhes das tramas...
A História

Edmond
Dantes (Jim Caviezel) é um jovem marinheiro em missão
comercial pelo Mediterrâneo que se vê obrigado
a desembarcar na Ilha de Elba no período em que lá
está confinado Napoleão Bonaparte. A despeito
das dificuldades enfrentadas para atingir seus objetivos,
Dantes e seu amigo Fernand Mondego (Guy Pearce) conseguem
convencer os militares que vigiam Napoleão a permitir
que seu capitão adoentado seja visto pelo médico
que cuida do famoso prisioneiro.
Para
que isso acontecesse o general estrategista condiciona a consulta
ao capitão a entrega de uma carta por parte de Dantes
a um amigo com quem não tem contato a muito tempo.
Assegura ao jovem que se trata apenas de uma correspondência
de caráter pessoal, no entanto, pede a ele sigilo absoluto.
Eram porém observados por Mondego que não perdoa
o amigo por não lhe contar o que havia acontecido.
Ao
voltarem a Marselha, Dantes é denunciado por traição
numa conspiração liderada por Mondego, acompanhado
de um subalterno do navio e do promotor local, cada qual motivado
por um interesse particular. O falso amigo pela paixão
que nutre pela noiva de Dantes, o segundo pela possibilidade
de sucedê-lo no comando do navio e o terceiro para evitar
que seu pai fosse identificado como o contato de Napoleão
numa eventual conspiração (o que arruinaria
sua carreira).
Enviado
para uma prisão localizada numa ilha isolada, é
dado como morto a partir de uma condenação arbitrária
a morte por traição. Isolado na ilha, numa cela
individual a partir da qual não tem contato nem ao
menos com as pessoas que levam comida para ele, Dantes parece
destinado a loucura e morte...
Aos professores

1-
Pode-se aproveitar o início do filme para abordar o
período napoleônico (exílios nas Ilhas
de Elba e Santa Helena e o Governo dos Cem dias) e seu desfecho.
A isso poderia ser acrescido o trabalho com o filme "Os
Duelistas" de Ridley Scott.
2-
Outra alternativa refere-se ao exame do poder judiciário.
Suas prerrogativas, seu funcionamento, as possibilidades de
erros e arbitrariedades, sua relação com os
outros poderes,...
3-
As condições de aprisionamento de Dantes podem
servir de referência para um debate acerca das condições
de encarceramento no passado e na atualidade. Seria necessário
um levantamento de informações sobre os sistemas
prisionais de outros períodos e os atuais.
4-
A confrontação entre o filme e o livro poderiam
fazer surgir detalhes interessantes omitidos na película.
Fizeram falta? Enriqueceriam a história? Por que foram
suprimidas? Vocês as cortariam do roteiro?
5-
Acima de tudo, um filme como "O Conde de Monte Cristo"
nos mostra a importância de saber ler e escrever, de
ler com frequência, de se preparar com antecedência
(planejamentos), de amizades verdadeiramente sólidas,
da obstinação que sempre devemos ter e do valor
da literatura clássica. Todos assuntos que podem ser
explorados, debatidos, pesquisados e explicados em aulas.
Pensem a respeito!
João
Luís Almeida Machado
Mestre em Educação, Arte e História
da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São
Paulo); Professor universitário atuando na Unitau (Universidade
de Taubaté) e na Faculdade Senac em Campos do Jordão;
Professor de Ensino Médio e Fundamental em Caçapava,
SP; escreve semanalmente na coluna Cinema e Educação
do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br).
Envie
e-mails de comentários, sugestões e críticas
para:
profjoaoluis@planetaeducacao.com.br
Ficha
Técnica
O
Conde de Monte Cristo
(The Count of Monte Cristo)
País/Ano
de produção:- EUA, 2002
Duração/Gênero:- 131
min., Aventura
Disponível em vídeo e DVD
Direção de Kevin Reynolds
Roteiro de Jay Wolpert, baseado na obra de
Alexandre Dumas
Elenco:- Jim Caviezel, Guy Pearce,
Richard Harris, James Frain,
Dagmara Dominczyk, Luis Gúsman.
Links
-
http://bventertainment.go.com/movies/montecristo/
(site oficial)
- www.adorocinema.com/filmes/conde-de-monte-cristo-2002/conde-de-monte-cristo-2002.htm
- http://e-pipoca.ig.com.br/filmes_zoom.cfm?id=3786
- http://www.cineguia.com.br/index.shtml?cod_filme=CNA4939&rg=0
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