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Filmes
e Livros
Tive
a oportunidade de realizar um trabalho acadêmico em
que fiz um paralelo entre um filme e um livro. Para tanto
tive que assistir o filme perto de uma dezena de vezes e ler
o livro com enorme atenção (relendo vários
trechos algumas vezes para poder confirmar ou conferir algumas
informações).
Vale
a pena!
Nos
filmes...
Podemos
observar detalhes que inicialmente passaram despercebidos
quando assistimos pela segunda ou terceira vez.
Selecionamos
frases e a partir delas temos a possibilidade de propor raciocínios
e reflexões.
Destacamos
detalhes das imagens que podem ser representativos de tendências,
períodos ou mesmo característicos de determinadas
personagens e culturas.
Prestamos
maior atenção ao figurino, a música,
aos efeitos sonoros, a cenografia, a atuação
dos atores e aos detalhes da trama.
Conseguimos,
no todo, acumular um maior volume de informações
sobre o filme e, de posse de todo esse conteúdo acumulado,
selecionar aquilo que é mais interessante e condizente
com o trabalho que estamos realizando.
Podemos
mesmo selecionar trechos ou idéias que são importantes
num determinado contexto e podem ser substituídas por
outras em outra situação de trabalho em sala
de aula.
Nos
permitimos a variação de estratégias
de acordo com as informações que acessarmos
e destacarmos em nossas anotações sobre o material
fílmico visto e revisto.
Nos livros...
Quando realizamos leituras do texto, temos que estar atentos
ao fato de que realizamos trabalhos diferenciados na primeira
e nas demais oportunidades em que entramos em contato com
a produção escrita.
Num
primeiro momento estamos conhecendo os detalhes da história,
caminhando cuidadosamente por um caminho ainda desconhecido,
cujas portas estão se abrindo pela primeira vez para
nós. Devemos prestar a devida atenção
ao texto porém, sem se preocupar, inicialmente, em
anotar, grifar, destacar ou escrever explicações
ao lado dos trechos lidos. Ler é o objetivo maior.
Reconhecer o terreno e identificar as idéias centrais
que norteiam a trama. Ter uma idéia inicial da proposta
da obra e da ideologia do autor.
As
leituras posteriores encaminham o nosso trabalho para uma
etapa um pouco mais árdua, envolvente e trabalhosa.
Temos pela frente a necessidade de ler e escrever sobre os
trechos mais importantes (averiguados através da leitura
inicial). Passamos de uma prospecção superficial
para um trabalho minucioso, onde não estamos apenas
cavando o buraco por onde pretendemos entrar na mina. Agora
estamos a procura das pepitas, das jóias da coroa.
Tenha
ao seu lado um dicionário para facilitar a compreensão
dos termos complicados, das expressões desconhecidas.
Esse aliado funciona, por vezes, como uma autêntica
bússola, indicando os sentidos e atribuindo possibilidades
de interpretação que talvez fossem desconhecidas
inicialmente para você.
Não
tenha medo de errar em suas anotações. Faça
um esquema e, a partir dele, produza uma síntese. Coloque
todas as suas anotações em fichas ou grave-as
em arquivos em seu computador (não se esqueça
de colocar as informações, ordenadamente, em
pastas que facilitem a sua posterior consulta).
Procure
ler o livro antes de ver o filme. Faça as anotações
também antes de visualizar a película. Quando
você realiza a leitura antecipadamente em relação
ao filme, acaba criando projeções mentais dos
personagens, das locações, dos acontecimentos,
das cenas e dos diálogos travados entre os protagonistas.
Facilita a compreensão posterior do filme e permite
comparações que serão traçadas
em seu consciente/inconsciente.
Caso
tenha trabalhado no sentido inverso (tenha visto o filme antes
de ler o livro), você perceberá que a todo momento,
na medida em que a sequência que estiver lendo tiver
sido filmada, virão a sua mente as imagens do filme,
cortando a possibilidade de que elas possam ser criadas por
você.
Ao
assistir o filme antes você também perceberá,
através da leitura, que muitas das sequências
apresentadas no livro foram cortadas ou alteradas na filmagem.
Isso acaba sendo um tanto quanto decepcionante pois percebemos
enorme potencial em certas passagens e elas não foram
trabalhadas pelo diretor e pelos produtores do filme (por
dificuldades técnicas, pelo fato do filme ficar muito
longo, por problemas de orçamento,...).
Quando os livros e os filmes se encontram...
Dispondo
das informações obtidas pela leitura do livro
e pelo fato de ter assistido o filme, você verá
que:
-
Comparações entre os dois recursos poderão
adicionar questões a serem discutidas em aula.
-
Detalhes apresentados na leitura e inéditos no filme
podem servir como fator de motivação para as
propostas de trabalho com o filme.
-
Idéias negadas ou omitidas no filme e apresentadas
no livro nos permitem fazer um trabalho de confrontação
entre o escritor e o diretor e o roteirista do filme.
-
Na equiparação entre as idéias projetadas
pela leitura e aquelas materializadas pelo filme pode-se propor
um trabalho através do qual se faça um trabalho
de construção de textos ou produções
artísticas (story-boards, histórias em quadrinhos,
mangás, desenhos, maquetes) em que a visão do
leitor seja colocada lado a lado com a do cineasta.
-
Podem ser pedidas descrições dos trechos dos
filmes trabalhados e, numa etapa posterior, esses trabalhos
podem ser colocados lado a lado com a produção
do escritor.
Há
outras alternativas, passíveis de utilização,
quando se realiza um trabalho conjunto em que unimos as letras
e a sétima arte. Cabe a nós criar novos pontos
de encontro, novas possibilidades. São recursos ricos
e exuberantes, que nos convidam a criação, temos
que fazer com que não sejam perdidas as oportunidades
de realização.
João Luís Almeida Machado
Mestre em Educação, Arte e História
da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São
Paulo); Professor universitário atuando na Unitau (Universidade
de Taubaté) e na Faculdade Senac em Campos do Jordão;
Professor de Ensino Médio e Fundamental em Caçapava,
SP; escreve semanalmente na coluna Cinema e Educação
do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br).
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e-mails de comentários, sugestões e críticas
para:
profjoaoluis@planetaeducacao.com.br
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