| Numa
época de guerra, em favor da paz
"O Grande Ditador"

Charles Chaplin é considerado por muitos como o maior
gênio da sétima arte. Mesmo tendo vivido no início
do século XX e produzido a maioria dos seus filmes
até 1950, o criador de Carlitos continua sendo comentado,
reprisado e endeusado por um enorme número de fiéis
seguidores. Não é para menos, suas obras (como
"Tempos Modernos", "Em busca do Ouro",
"O Garoto", "O Circo", "Luzes da
Cidade" e "O Grande Ditador") não perderam
seu valor com o passar do tempo, continuam encantando platéias
dos quatro cantos do mundo e, acima de tudo, mostraram-se
tão grandiosas que suas tramas não se inscreveram
apenas como registros do período em que foram feitos
os filmes, ultrapassaram essa barreira.
Lembrem-se
do filme "Tempos Modernos" (já comentado
nas colunas de Cinema e Educação) e vejam como
Chaplin, em sua crítica a sociedade contemporânea,
de bases industriais já não estava, com suas
gags e paródias antevendo o stress, as correrias típicas
de nosso cotidiano, os sistemas de trabalho onde os homens
são apenas engrenagens adicionais ao trabalho das máquinas!
Em
"O Grande Ditador", Chaplin antecipou o fenômeno
Hitler na Alemanha, através de uma contundente sátira
ao nazi-fascismo e um surpreendente clamor pela paz. Não
compreendido pelos americanos acabou tendo que se retirar
do país e se estabeleceu na Suíça. Uma
grande perda pois, na Europa, tolhido dos meios e dos recursos
necessários para seu trabalho e um tanto quanto descrente
na indústria e no mundo, sua produção
declinou e rareou.
A
trama de "O Grande Ditador" nos revela algumas surpresas
como o fato de Chaplin atuar em dois papéis, como o
ditador de Tomânia (satirizando a Alemanha e seu Fuhrer)
e no de um barbeiro judeu, celebrado como herói na
1ª Guerra e que, anos depois, ao sair do hospital onde
ficara em recuperação dos traumas e choques
daquele conflito, vê-se como parte de uma minoria perseguida
pelas novas autoridades que reinam em seu país.
Depois
de uma breve introdução, a história continua
a partir do retorno do barbeiro a seu estabelecimento comercial,
numa parte da cidade que foi transformada em gueto, onde todos
os judeus foram confinados e vivem em total precariedade.
Além das dificuldades materiais e privações,
não havia liberdade para que as pessoas que ali viviam
pudessem se deslocar de um lado para o outro e, além
disso, elas eram vítimas de arbitrariedades e violências
praticadas pelos soldados a serviço de Hynkel (leia-se
Hitler).

Enquanto isso, nos gabinetes dos poderosos, o ditador fazia
planos e mais planos de conquistar o mundo. É desse
filme a célebre seqüência em que Hynkel
dança com o globo terrestre em suas mãos numa
suave alusão ao desejo de comandar os destinos do planeta.
Há várias tiradas no filme que demonstram o
quanto Chaplin estava sintonizado com o que ocorria no planeta,
nessas seqüências por exemplo, menciona-se o arianismo
e a estranha condição do ditador moreno comandando
o futuro de Tomânia.
Outro
detalhe interessante se refere a idéia de que uma das
principais formas de se obter o apoio do povo se dava a partir
da manipulação da opinião pública
com o auxílio de propaganda pesada nos meios de comunicação
ou com desfiles militares.
Um
outro personagem destacado que aparece nessa trama é
um sósia do ditador italiano Mussolini, que também
tem pretensões expansionistas. Diferentemente da história,
em que os destinos da Itália e da Alemanha se cruzam,
os dois líderes são concorrentes e não
estão dispostos a se associar.
A
história sofre uma reversão quando Hynkel e
o barbeiro judeu trocam de lugar, acidentalmente. Isso abre
uma oportunidade sem igual para que os erros do verdadeiro
ditador sejam reparados pela ação nobre do pobre
e perseguido barbeiro. "O Grande Ditador" se revela
no final, numa seqüência antológica, dessas
verdadeiramente inesquecíveis, com um discurso de arrepiar
os cabelos onde as palavras do personagem se fazem a de todos
aqueles que acreditam que o mundo pode e deve viver em paz,
equilíbrio e justiça.

Esse filme é recomendável para todas as disciplinas
da área de humanas e códigos e linguagens. Permite
que se façam redações com temáticas
voltadas para os conflitos, abre possibilidade de se discutir
ações em favor da paz, nos mostra que através
da arte podemos estimular ações de benefício
para a humanidade, nos convida a estudar a 2ª Guerra
e suas motivações, a entender os fatores que
fizeram com que grande número de pessoas morresse naquele
conflito e as razões que nos movem a nunca mais promover
tamanho genocídio. Imperdível!
João
Luís Almeida Machado
Mestre em Educação, Arte e História
da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São
Paulo); Professor universitário atuando na Faculdade
Senac em Campos do Jordão; Professor de Ensino Médio
e Fundamental em Caçapava, SP; escreve semanalmente
na coluna Cinema e Educação do Portal Planeta
Educação
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e-mails para:
profjoaoluis@planetaeducacao.com.br
Ficha
Técnica
O Grande Ditador
País/Ano de produção:-
EUA, 1940
Duração/Gênero:- 128
min. , Comédia
Disponível em vídeo
Direção de Charles Chaplin
Roteiro de Charles Chaplin
Elenco :- Charles Chaplin, Paulette Goddard,
Jack Oakie, Reginald Gardiner, Maurice Moscovich.
Links
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http://us.imdb.com/Title?0032553
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