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Guerreira de Deus
"Joana D'Arc de Luc Besson"

Quem poderia imaginar que a maior heroína da história
da França viesse a ser uma jovem camponesa iletrada?
Será que em algum momento os ingleses, em sua impetuosa
e vitoriosa campanha em terras francesas durante a Guerra
dos Cem Anos, imaginaram que seriam derrotados por um exército
comandado por uma mulher? A religiosidade que fez de Joana
D'Arc uma guerreira fantástica no comando dos exércitos
franceses nos explica esse fenômeno histórico?
Deus realmente se apresentou para Joana e pediu-lhe que empunhasse
sua espada contra os invasores ingleses? Muitas pessoas se
perguntam se essa história realmente aconteceu. E surpreendem-se
de saber que trata-se de um acontecimento registrado, inclusive
em autos impetrados pela Igreja Católica contra Joana.
A história se inicia com uma menina, verdadeiramente
católica, que frequenta os cultos e vivencia sua fé.
Até esse ponto nada a diferencia da grande maioria
das pessoas da época em que vive, no século
XIV, durante o ocaso do feudalismo. Nesse período,
num país de católicos como a França,
viver distanciado de Deus e da Igreja Católica significava
problemas sérios para quem quer que fosse. Aplicado
aos camponeses, as dificuldades tornavam-se ainda maiores.
A
vida de Joana no entanto, passa por uma grande transformação
quando, ainda muito menina, ela presencia um ataque desferido
pelos ingleses a vila onde vive. Sua família foi dizimada
e sua irmã morta com extrema violência, tendo
a jovem francesa presenciado a cena horrenda através
das fendas da porta que a escondia.
Acolhida por parentes próximos, sua vida muda completamente
e ela começa a ter visões, através das
quais anuncia estar se comunicando com Deus. Numa época
marcada por um grande crença religiosa, em que a França
está sendo invadida por uma outra nação
e se encontra frágil e desprotegida, quando nem mesmo
um rei existe por essas paradas, o surgimento de uma pessoa
que consegue conversar com o criador pode ser visto como um
indício de que nem tudo está perdido. As esperanças
dos fervorosos cristãos franceses foram então
depositadas na jovem Joana.
Quando Joana anunciou aos quatro ventos que entre os desígnios
de Deus encontrava-se a salvação da França
das garras cruéis dos britânicos e que ela havia
sido escolhida para libertar a nação que ainda
estava a se formar, garantindo ao Delfim (herdeiro do trono)
a possibilidade de assumir o comando do país, imediatamente
foi aceita pelo povo e, posteriormente pela nobreza, como
o bastião que poderia resgatar o orgulho francês
(assim como as terras).

Para o povo, tratava-se realmente da eleita de Deus. Para
os nobres, não passava de um artifício para
atingir seus objetivos de livrar a França dos ingleses.
Se ela pudesse ajudá-los a fazer isso, seria ótimo.
A partir da realização desse intento, Joana
deixava de ser uma aliada e tornava-se uma poderosa inimiga.
A configuração dos objetivos escusos do herdeiro
do trono, personagem vivido pelo experiente John Malkovich,
dependia de forte apoio popular e o surgimento de uma figura
carismática como a jovem Joana (interpretada pela belíssima
Milla Jovovich, que consegue dar a personagem toda a força
e integridade que a história lhe confere) parecia garantir-lhe
essa sustentação. Até esse momento, enfraquecido
pelos sucessivos embates com os britânicos e pelas custosas
derrotas (que abalaram-lhe as finanças e o prestígio),
o Delfim parecia fadado a não atingir seu objetivo
real. Com o aparecimento da emblemática personagem
que falava em nome de Deus e garantia-lhe o direito a coroa,
faltava-lhe apenas a confirmação da autoridade
real, que teria que vir com as vitórias nas batalhas.
Surpreendentemente para todos, em particular para os nobres,
que viam em Joana uma simples mulher camponesa, sua sede de
vitórias e o embalo de carregar consigo o que imaginava
ser o poder que Deus havia lhe confiado, vitórias incríveis
foram sendo conquistadas. Numa época em que as mulheres
sofriam enormemente com o preconceito e a pecha de subservientes
aos homens, cabendo-lhes papel secundário na história,
Joana se tornava um mito. Encarnava papéis que seriam
exclusivamente reservados aos homens, empunhava espadas, vestia
uma armadura que protegia seu "frágil" corpo
de mulher, cortava os cabelos curtos e falava como comandante.
Não demorou muito para que viesse a ser chamada de
bruxa pelos inimigos. Abria-se a brecha que as autoridades
francesas precisavam para poder se desfazer da mesma. Logo
deixaria de ser a heroína e tornaria-se uma herege.
Somente as chamas purificadoras da Inquisição
poderiam permitir-lhe livrar-se das alucinações
e de identificar-se como portadora das mensagens de Deus.
Afinal, onde já se viu, em plena Idade Média,
Deus apresentar-se aos homens utilizando-se de uma mulher,
camponesa de origem, analfabeta e que, além de tudo,
demonstrava força e personalidade. Inadmissível!

Até
que ponto tudo isso é verossímil, principalmente
no que tange aos aspectos da religiosidade, jamais descobriremos.
O filme de Luc-Besson, no entanto, tem ritmo alucinante e
prende os espectadores, recria com capricho visual acentuado
um período conturbado, coloca em discussão uma
mulher que superou os limites de seu tempo e virou símbolo
de um país em sua luta pela liberdade. Não perca!
João Luís Almeida Machado
Mestre em Educação, Arte e História
da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São
Paulo); Professor universitário atuando na Faculdade
Senac em Campos do Jordão; Professor de Ensino Médio
e Fundamental em Caçapava, SP; Colunista para assuntos
de Educação no Portal Planeta Educação
(www.planetaeducacao.com.br).
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e-mails Comentários, sugestões e críticas
para:
profjoaoluis@planetaeducacao.com.br
Ficha Técnica
Joana D'Arc de Luc Besson
País/Ano de produção:
França, 1999
Duração/Gênero: 141 min.,
Drama/Aventura
Disponível:- VHS e DVD
Direção de Luc Besson
Roteiro de Andrew Birkin e Luc Besson
Elenco: Milla Jovovich, John Malkovich, Faye
Dunaway, Dustin Hoffman.
Links
- http://www.cineguia.com.br/index.shtml?cod_filme=DNA659
- http://e-pipoca.ig.com.br/filmes_zoom.cfm?id=590
- http://www.adorocinema.com/filmes/joana-darc/joana-darc.htm
- www.joan-of-arc.com
(site oficial)
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