| Uma
Viagem no Corpo Humano
"Osmose Jones"

O
que acontece com os alimentos a partir do momento que os ingerimos?
Que caminhos são trilhados pelas frutas, legumes, verduras,
carnes, ovos e demais componentes de nossa dieta cotidiana
(inclusive o que chamamos de "junk food") depois
da mastigação? De que forma as enzimas e sucos
gástricos, entre tantos mecanismos e recursos de que
nosso corpo é dotado, reagem a medicamentos e a comida
que "colocamos" em nosso organismo?
Foi
pensando nisso que os produtores do filme/animação
"Osmose Jones" pensaram ao criar a premissa do longa-metragem.
Provavelmente tenham, também, assistido aos filmes
"Viagem Fantástica" e "Viagem Insólita"
que igualmente propõem uma jornada pelo corpo humano,
uma inserção no universo íntimo e particular
dos sistemas internos que regem nosso funcionamento cotidiano.
É
verdade que possuímos, atualmente, tecnologia suficiente
para examinarmos componentes da fisiologia humana em laboratório
(ao menos em nível de laboratórios de pesquisa
relacionados a empresas privadas e particulares ou em universidades
devotadas a esse campo de especialidade; o que deve ocorrer
em instituições que realmente prezam a qualidade
e o aprofundamento do estudo e o desenvolvimento das técnicas
e exames relacionados à anatomia).
É
igualmente verdadeiro perceber que as instituições
de pesquisa tem disponibilizado material gravado em vídeo
e DVD, facilmente acessível em locadoras ou mesmo em
bancas de jornal, através do qual documentaristas nos
colocam em contato com informações atualizadas
e comprovadas cientificamente a respeito do corpo humano (há
material da BBC e do Discovery Channel de comprovada qualidade).
Se
há todas essas possibilidades, por que deveríamos
voltar nossas atenções para uma comédia
americana que mistura elementos de animação
à ação de personagens do mundo real e
que repete a fórmula de sucesso desenvolvida em longas-metragens
produzidos em períodos anteriores?
Uma
das possibilidades maiores que nos é dada por "Osmose
Jones" refere-se justamente ao caráter cômico
e pretensamente descompromissado da produção.
Ao abordar o tema "corpo humano" sem que se dê
um caráter acadêmico ao estudo, o filme consegue
cativar os estudantes que estão sendo introduzidos
ao assunto (vale lembrar que esse material deve ser utilizado
prioritariamente com alunos do Ensino Fundamental, sendo também
aplicável ao Ensino Médio).
A
utilização desse filme como recurso não
exclui a possibilidade de usar, paralelamente, nenhum dos
outros meios ou ferramentas mencionados ou qualquer outro
que instigue debate e reflexão nesse estudo (livros,
artigos de jornais, matérias publicadas em revistas
científicas, maquetes que reproduzem o corpo humano,...);
pelo contrário, a intenção do professor
deve caminhar em direção a uma interação
entre os vários recursos disponíveis e pesquisados
(o que estimula o aluno e favorece enormemente a aprendizagem).
É
muito provável que, seguindo algumas idéias
apresentadas no filme, seus alunos passem a se interessar
por informações a respeito de suas próprias
"cidades" ou corpos...
O
Filme

Frank
Pepperidge (Bill Murray, num papel que parece feito sob medida
para ele) é zelador num zoológico e pai de uma
bela e esperta garota de 13 anos de idade. Diferentemente
de sua filha, Frank é extremamente descuidado e, constantemente
peca pela absoluta falta de zelo com sua própria saúde
e aparência.
No
início do filme, ao receber sua filha Shane (Elena
Franklin) para uma visita ao zoológico, Frank comete
uma exemplar falha relacionada à falta de higiene.
Ao se alimentar em frente à jaula dos chimpanzés,
permite que um dos macacos pegue o ovo que estava prestes
a ingerir. Na seqüência, entra numa disputa pelo
ovo com o chimpanzé, chegando mesmo a retirar o alimento
da boca do animal. Não bastasse o fato de que o símio
já havia colocado o ovo em sua boca, Frank acaba comendo
o alimento mesmo depois de apanhá-lo do chão.
Nem
mesmo os protestos de sua filha Shane evitaram que o pai viesse
a comer o ovo.
Nesse
ponto da história nossa trajetória se desloca
para a boca de Frank. Nela percebemos uma movimentação
de células (glóbulos brancos), como se fossem
seres humanos, reagindo à ingestão do ovo, já
sabendo que o organismo estava a ponto de receber a visita
de bactérias e vírus indesejáveis. Eles
se deslocam dentro de um universo próprio e muito particular
chamado de "Cidade de Frank". Percebemos então
que o organismo humano passa a ser representado como o universo
externo, criado pela própria ação dos
seres humanos, com estradas, edifícios, depósitos
de excrementos, órgãos "públicos"
essenciais (cérebro, fígado,...), prefeitura,...
O
fato de Frank ter comido um alimento infectado afeta o cotidiano
da "Cidade de Frank" e promove mobilizações
e encaminhamentos que tem como objetivo identificar e combater
eventuais disfunções. Para investigar esses
problemas e servir como ponto de apoio a um medicamento tomado
por Frank, foi nomeado o "investigador" Osmose Jones.
O remédio ingerido também tem vida própria
e, recebe o nome de Drix. Eles formam a dupla que deve descobrir
uma doença que entrou no corpo de Frank e que pretende
promover o colapso do sistema e a destruição
da "Cidade de Frank"...
Aos
Professores

1-
Uma das melhores possibilidades quanto ao filme "Osmose
Jones" refere-se a um exame minucioso dos personagens
e dos ambientes retratados como partes da "Cidade de
Frank". Descobrir quem são os personagens e como
seriam retratados nos livros que falam sobre o corpo humano
é um dos encaminhamentos possíveis. Outra abordagem
necessária se refere à busca de informações
sobre os órgãos e sistemas mostrados como ambientes
do corpo de Frank e relacionar o funcionamento apresentado
pelos mesmos no filme aos dados disponibilizados pelas pesquisas
na área.
2-
Que tal programar comparações entre o filme
e documentários sobre o corpo humano? Paralelos podem
ser explorados a partir da requisição de quadros
e tabelas em que se apresentem informações coletadas
em cada um dos recursos pesquisados. Esses quadros e tabelas
podem ser montados como painéis nos quais os alunos
divulgariam seus resultados quanto às comparações
e abririam espaço para um debate entre os vários
grupos e as diferentes conclusões a que chegaram.
3-
Um trabalho fundamental em relação ao filme
deve ser feito no que se refere à questão da
higiene pessoal e aos hábitos alimentares. O personagem
Frank (Bill Murray) equivale a tudo aquilo que devemos condenar
(quanto à higiene pessoal e hábitos alimentares)
e poderia servir como base para que pudéssemos produzir
uma resposta coletiva ao que podemos e devemos fazer para
nos alimentarmos de forma mais adequada e os hábitos
que devemos desenvolver para evitar que tenhamos doenças
por falta de higiene.
4-
A metáfora desenvolvida pelo filme que fez com que
o organismo humano fosse transformado numa cidade poderia
ser invertida e transformada num grande exercício a
ser desenvolvido por disciplinas como história, sociologia,
filosofia ou geografia. Poderíamos pensar, dentro das
cidades nas quais estamos inseridos, o que equivaleria à
circulação sanguínea, aos intestinos
grosso e delgado, ao coração, ao cérebro,
aos glóbulos brancos e vermelhos, as infecções
e viroses,...
João
Luís Almeida Machado
Mestre em Educação, Arte e História
da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São
Paulo); Professor universitário atuando na Faculdade
Senac em Campos do Jordão; Professor de Ensino Médio
e Fundamental em Caçapava, SP; escreve semanalmente
na coluna Cinema e Educação do Portal Planeta
Educação
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e-mails de comentários, sugestões e críticas
para:
profjoaoluis@planetaeducacao.com.br
Ficha Técnica
Osmose Jones
(Osmosis Jones)
País/Ano de produção:-
EUA, 2001
Duração/Gênero:- 99 min.,
Comédia
Disponível em VHS e DVD
Direção de Peter Farrelly e
Bobby Farrelly
Roteiro de Marc Hyman
Elenco:- Bill Murray, Elena Franklin, Chris
Elliott; as vozes de Chris Rock, Laurence Fishburne, David
Hyde Pearce, William Shatner e Brandy Norwood.
Links
-
http://www.adorocinema.com/filmes/osmosis-jones/osmosis-jones.htm
- http://e-pipoca.cidadeinternet.com.br/filmes_zoom.cfm?id=2781
- http://us.imdb.com/Title?0181739
(em inglês)
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