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"O Pianista"

Desde
1933, quando Hitler ascendeu ao poder na Alemanha,
acumulando os cargos de primeiro-ministro e presidente,
o destino dos judeus parecia selado. E as perspectivas
eram as piores possíveis. Uma leitura do
livro escrito pelo "Fuhrer" alemão
(a obra "Mein Kampf"; "Minha Luta"
em português) permitiria prever que eram mais
que prováveis as perseguições
e humilhações a que seriam submetidos
os membros da comunidade judaica, ao menos dentro
da Alemanha.
Cientes
que os objetivos dos nazistas incluíam o
expansionismo territorial e a busca do espaço
vital (e com isso obter mão de obra de baixo
custo, matérias primas, áreas para
novos investimentos e amplos mercados consumidores),
ações que foram se efetivando na medida
em que a Alemanha avançou sobre a Áustria
e a Tchecoslováquia, a situação
dos judeus residentes em países vizinhos
também se tornava delicada. Uma eventual
anexação ou invasão germânica
significaria, na prática, a submissão
a condições de vida degradantes e
violências do mais variado calibre.
A
invasão da Polônia em setembro de 1939
confirmou os piores prognósticos. Tanto os
poloneses em geral, quanto os judeus em particular,
foram confinados a guetos e, posteriormente, transferidos
para campos de concentração e/ou de
extermínio. Na prática isso significou
para essas pessoas:- a perda de seus bens e de seu
patrimônio, a instalação em
locais sem infra-estrutura adequada para permitir-lhes
resistir ao frio e as doenças, a utilização
dessas pessoas como mão de obra escrava,
a separação de famílias (cujos
membros jamais voltariam a se encontrar) e os desmedidos
e arbitrários atos de violência física
aos quais eram constantemente submetidos (que iam
de espancamentos por pequenos erros ao frio e brutal
assassinato na frente dos demais para estabelecer
exemplos e disseminar o medo entre os prisioneiros).
Como
conseguir sobreviver a todas essas privações
e agressões? De que formas poderiam os prisioneiros
resistir sem o apoio dos familiares, sendo exauridos
fisicamente por um trabalho degradante e ainda tendo
que se alimentar com quantidades inferiores ao que
seria necessário para se manterem com alguma
saúde? Que esperanças poderiam existir
entre eles se não tinham notícias
do que ocorria no front de guerra?
O
filme "O Pianista", do diretor polonês
Roman Polanski, nos coloca diante de uma circunstância
inusitada quanto à história da guerra.
Um caso muito particular, de um artista destacado,
que relata suas dificuldades e nos mostra como a
guerra pode enlouquecer e como a arte pode nos fazer
sobreviver, resistir. Wladyslaw Szpilman, pianista
renomado na Polônia da época, sofreu
todas as agruras possíveis, viu seus familiares
serem encaminhados para destinos que ignorava, mas
que sabia serem os piores, sofreu agressões
e ameaças de morte, realizou trabalhos forçados
e teve que se esconder das perseguições
e do desmedido ódio racial nazista em seu
próprio país. Só podia dar
num grande e premiado filme...
O Filme

O
ímpeto nazista era tão grande e seus
planos tão espetaculares que em poucas horas
e alguns dias apenas, a Polônia se encontrava
dominada pelos alemães. Não houve
tempo útil para que a população
pudesse organizar uma resistência e lutar
contra o inimigo. Não houve tempo para que
Wladyslaw Szpilman (Adrien Brody, em atuação
marcante que lhe rendeu o Oscar de melhor ator)
e sua família tentassem fugir e se refugiar
em países neutros.
Szpilman
era um admirado pianista que tinha um programa na
rádio polonesa. Homem de hábitos finos,
de bom nível cultural, tinha compleição
física frágil e elegância reconhecida.
Sabia que teria pouca ou nenhuma condição
de sobreviver caso se tornasse prisioneiro dos alemães.
Carregava consigo, porém um estigma que o
tornava um alvo potencial da fúria germânica,
era judeu.
Como
praticamente todos os judeus poloneses que viviam
na capital do país, acabou sendo aprisionado
e submetido à vida no gueto de Varsóvia.
Respeitado e reconhecido entre seus compatriotas
por suas habilidades musicais, foi tirado das filas
que levavam os prisioneiros para o extermínio
em campos de concentração como Treblinka
ou Auschwitz. Ao invés de ser condenado a
morte, foi transformado em escravo. Carregava tijolos
e apanhava dos comandantes nazistas. Resistia e
alimentava o sonho de participar de uma frente polonesa
que enfrentasse os nazistas, mesmo que isso significasse
a morte para todos.
Diferentemente
de seus companheiros, consegue fugir do gueto. Isso
não significou para ele que sua vida estava
garantida e nem, tampouco, que estaria longe das
dificuldades próprias da guerra. Pelo contrário,
sua luta pela sobrevivência estava apenas
começando...
Aos
Professores

1-
O que precisamos para conseguir sobreviver em condições
tão adversas quanto às de uma guerra
ou de uma catástrofe natural de grandes proporções?
Quanto de alimento e água são necessários
para que uma pessoa consiga se manter durante um
longo período de isolamento? Seria interessante
se os professores de biologia estipulassem como
meta uma busca de informações que
permitisse aos alunos prever os níveis básicos
e elementares de nutrientes e líquidos para
que uma pessoa conseguisse sobreviver nas condições
de Wladyslaw Szpilman, personagem de Adrien Brody
em "O Pianista".
2-
O livro "Mein Kampf" (Minha Luta), de
Adolf Hitler, é considerado pelos historiadores
como elemento fundamental para a compreensão
do pensamento nazista. Quais as principais idéias
apresentadas no livro? De que forma Hitler e os
nazistas conquistaram o poder na Alemanha? Como
fizeram para estimular o crescimento do sentimento
de ódio racial pelos judeus em seu país
e promover uma guerra mundial? Qual o papel das
tropas de elite como as SA, SS e Gestapo para a
efetivação do Nazismo? Há várias
perguntas que podem ser utilizadas para propor projetos
e trabalhos na área de história. O
mais interessante é notar que os estudantes
têm enorme curiosidade quanto a esse tema.
Vale explorar!
3-
Proponha aos alunos que, depois de terem visto o
filme e realizado pesquisas quanto ao surgimento
do nazismo, escrevam cartas como se vivessem naquela
época, relatando as dificuldades vividas
no gueto ou nos campos de concentração;
uma alternativa interessante seria pedir que alguns
escrevessem como se fossem soldados ou oficiais
nazistas. Para dar mais realismo a essa prática,
peça a eles que enviem as cartas pelo correio
para os colegas ou para você, professor.
4-
Uma proposição interessante seria
fazer um levantamento quanto aos principais campos
de concentração, de extermínio
e os maiores guetos. Isso teria que redundar na
produção de painéis explicativos
que contivessem plantas, demonstrassem os alojamentos
dos prisioneiros, apresentassem os fornos crematórios,
incluíssem fotografias dessas construções
e fossem compostos com legendas baseadas em depoimentos,
pesquisas, trechos de livros,...
João Luís Almeida Machado
Mestre em Educação,
Arte e História da Cultura (Universidade
Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo); Professor
universitário atuando na Faculdade Senac
em Campos do Jordão; Professor de Ensino
Médio e Fundamental em Caçapava, SP;
escreve semanalmente na coluna Cinema e Educação
do Portal Planeta Educação
Envie
e-mails de comentários, sugestões
e críticas para:
profjoaoluis@planetaeducacao.com.br
Ficha Técnica
O Pianista
(The Pianist)
País/Ano
de produção:- França/Alemanha/Inglaterra/Polônia,
2002
Duração/Gênero:-
148 min., Drama
Disponível em VHS e DVD
Direção de Roman
Polanski
Roteiro de Ronald Harwood, Roman
Polanski, Wladyslaw Szpilman
Elenco:- Adrien Brody, Thomas Kretzchmann,
Emilia Fox, Ed Stoppard, Frank Finlay, Julia Rayner,
Jessica Kate Meyer, Joachim Paul Asbock, Michael
Zebrowski.
Links
-
http://www.cinemaemcena.com.br/crit_editor_filme.asp?cod=1975
- http://www.adorocinema.com/filmes/pianista/pianista.htm
- http://e-pipoca.cidadeinternet.com.br/filmes_zoom.cfm?id=4259
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