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O
professor e o(s) filme(s) escolhido(s)
Você já conseguiu passar pelo primeiro passo,
escolheu seu filme e, já tem uma idéia bem clara
quanto aos motivos pelos quais elegeu esse material para utilizar
em sua próxima aula ou seqüência de conteúdos.
O processo de seleção, como dissemos, foi mais
árduo do que se imaginou a princípio; há
critérios que devem ser levados em conta, existe todo
um planejamento ao qual você deve estar relacionando
a obra em questão, as turmas as quais esse material
se destina também foram avaliadas anteriormente (o
que lhe permite saber se o nível do filme é
adequado, se a compreensão dos elementos apresentados
será possível, se o trabalho poderá ser
desenvolvido dentro de uma atmosfera de normalidade e, principalmente,
se nesse contexto, frutos a se colher em virtude dessa semeadura
irão surgir) e, não podemos nos esquecer de
nós mesmos, nossa preparação em relação
ao tema (se as leituras estão em dia, se os pormenores
do assunto são conhecidos, o que tem saído de
novo sobre tal temática, as resenhas publicadas nos
principais jornais e revistas sobre o assunto, se o filme
escolhido já foi analisado por especialistas em educação
e cinema o que me lembra de convidar-lhe a nos visitar
no Planeta Educação sempre que você estiver
montando uma aula como essas, todas as semanas lançamos
mais e mais material sobre filmes, aproveitem a oportunidade!).
Você já deve estar pensando:
-
Mas, e a próxima etapa, passemos a ela, estou ansioso(a)
e você fica recapitulando idéias apresentadas
anteriormente!
Bom,
vamos a ela! Num segundo momento sua preocupação
passa a ser assistir ao filme, o que, convenhamos, consiste
na parte mais agradável do trabalho. Realmente, procure
relaxar, coloque o filme no vídeo ou no DVD, sente-se
numa posição confortável, procure desligar-se
de qualquer outro compromisso ou responsabilidade que possa
desviar sua atenção e, de preferência,
assista ao filme acompanhado por alguém em quem confia,
de bom senso, que possa trocar idéias com você
após o final da projeção.
-
João, esse filme foi escolhido para fazer parte de
um projeto, de um trabalho que estou desenvolvendo na escola
e você sugere que assistamos ao material de forma relaxada,
acompanhados e que esqueçamos das outras responsabilidades
de nossas vidas? Só falta falar para pegar uma pipoquinha
e um refresco!
Realmente,
havia me esquecido desse detalhe, se puder providenciar uns
comes e bebes, faça isso, tudo vai ficar ainda mais
interessante.
Por trabalhar com pesquisa na universidade tenho lido muitos
textos que recomendam que a primeira leitura que
fazemos de um determinado produto cultural deve ser feita
com o intuito de reconhecimento, de prospecção,
como se estivéssemos identificando o terreno onde iremos
realizar o nosso garimpo. Não deve haver
a preocupação de levar pás, enxadas e
picaretas para essa primeira missão, para esse primeiro
levantamento de dados (por isso, deixe as canetas, lápis
e blocos de anotação para depois, logo clamarei
por eles).
Assistir o filme, visualizar a história, perceber a
orientação dada pelos diretores ao produto final,
notar detalhes quanto ao figurino, a música, as locações,
ao mobiliário, os diálogos ou os efeitos sonoros
e visuais é a sua primeira grande tarefa. Nessa atividade
você deve contar com o apoio de uma companhia, por isso
lhe recomendei que assistisse a película bem acompanhado,
ao lado de uma pessoa sensata, que possa emitir opiniões
e juízos a respeito do assunto em questão, o
filme.
O motivo desse acompanhamento refere-se ao fato de que duas
cabeças pensam melhor do que uma e, consequentemente,
quatro olhos sobre uma mesma referência visual
permitem uma melhor observação desse produto,
além disso, por mais próxima que possa ser a
pessoa que dividiu o tempo com você ao assistir o filme,
por mais assemelhada que seja a forma com que a pessoa se
relaciona com o mundo com o modo com que você encara
as coisas, são pessoas diferentes (você e essa
outra pessoa), provenientes de realidades e formações
diferentes, que tiveram contatos e experiências de vida
diversas, que se relacionaram com outras pessoas e por isso
aprenderam caminhos que não são comuns a ambos,
que leram livros não conhecidos por você, que
escutaram músicas desconhecidas ou pouco apreciadas
em sua existência, enfim, que compõe uma possibilidade
de intercâmbio na análise do filme que será
enriquecedora para suas conjecturas posteriores. Em suma,
seu amigo verá coisas que você não percebeu
ao longo da exposição do filme (assim como você
terá visto detalhes que passaram longe do raio de visão
e percepção do mesmo), muitas dessas idéias
captadas pelas antenas de seu parceiro podem ser
muito úteis na elaboração do projeto
em relação a esse material.
-
Ah, entendi! Tudo parece fazer sentido até aqui e,
o melhor de tudo é que, afinal de contas, essa é
uma atividade prazerosa!
Amigo
professor, tenha certeza de uma coisa, se investimos em projetos
que nos trazem prazer durante sua realização
é certeza que teremos como resultado desse trabalho
uma colheita das melhores ao final da produção,
pois, mesmo que os deuses não estejam em seus melhores
dias e, as chuvas não abasteçam as margens do
Nilo, encontraremos fontes alternativas que permitirão
que nossos campos sejam regados constantemente e floresçam
para garantir nossa alimentação e a de nosso
povo!
Uma outra garantia que podemos ter em relação
a um projeto como esse, que envolve uma inequívoca
sensação de prazer, é que o envolvimento
que podemos obter por parte de nosso público-alvo,
ou sejam, nossos alunos, vai ser dos melhores. Creia-me, sua
própria empolgação pode estimular a participação
de seus pupilos nos projetos que você estiver desenvolvendo
com eles, e isso vale não apenas para trabalhos com
filmes, mas também para outras práticas que
você venha a realizar. Parece um pouco com o milagre
da multiplicação dos pães!
Voltemos aos seus primeiros contatos com o filme, passado
esse primeiro beijo, ou seja, tendo visto o filme
inicialmente, você terá que revê-lo só
que, dessa vez, munido de materiais básicos como lápis,
borracha, caneta e papel (falei anteriormente que voltaria
a eles, não falei!); além disso, prepare-se
para parar o filme toda vez que achar conveniente, em toda
cena que houver um recurso, uma idéia, um conceito
que possa ser utilizado em sua aula, por isso, tenha o controle
remoto ao seu lado!
Não procure apenas grandes fatos, idéias ou
definições, tenha em mente que uma cena pode
enriquecer seu trabalho apenas pelo fato de conter uma ambientação
ou um figurino que possam servir de modelo para a compreensão
de hábitos, costumes ou formas de se relacionar em
um determinado período; muitas vezes a trilha sonora
de um filme (e como não prestamos atenção
nas músicas, desperdiçamos esse recurso valiosíssimo;
nos acostumamos a entender a orientação musical
de um filme como apenas um acessório de embelezamento
do produto final sendo que, na realidade, trata-se de um elemento
cultural precioso e fundamental para a compreensão
do filme e também para a visualização
e entendimento das diversidades contextuais e culturais) pode
conter elementos reveladores de um assunto específico.
Nem tudo o que você estiver vendo poderá ser
aproveitado, por isso, em sua garimpagem, você está
nesse momento, na beira do rio, com uma bateia (ou peneira)
na mão, separando o ouro da areia. Como um autêntico
mineiro, você deve perceber que algumas pedras irão
brilhar, e que muita areia será jogada fora. Isso significa
dizer que, no processo de seleção das idéias,
o professor deve ter um crivo seletivo apurado, por isso,
ele deve fazer a lição de casa indicada anteriormente,
deve ter necessariamente estudado o assunto, colocado em dia
as informações sobre o tema e lido resenhas
e artigos sobre o filme.
Como um filme longa-metragem raramente tem menos que uma hora
e trinta minutos e, já que suas aulas contam com um
tempo médio de 45 ou 50 minutos no máximo, deduz-se
que a seleção de imagens e idéias reduza
o material que vai ser apresentado aos alunos a no máximo
15, 20 ou 30 minutos. Não dá para utilizar o
filme inteiro, a não ser que você o faça
em horários alternativos e não durante as aulas.
Em nosso próximo encontro estarei falando sobre o que
devemos fazer para organizar a atividade a ser feita com o
material selecionado. Por hoje, paramos por aqui. Até
breve!
João Luís Machado
Mestrando em Educação, Arte e História
da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São
Paulo); Professor universitário atuando na Unitau (Universidade
de Taubaté) e na Faculdade Senac em Campos do Jordão;
Professor de Ensino Médio e Fundamental em Caçapava,
SP.
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