Nossas origens...
"O Quatrilho"

A ressureição do cinema nacional depois do ostracismo ao qual foi condenado nos anos que se seguiram a deplorável era Collor de Mello se deveu a vários fatores, entre os quais pode-se destacar, uma maior preocupação por parte dos cineastas tupiniquins em produzir filmes acessíveis ao grande público, com histórias interessantes e desprovidas daquela pretensa aura intelectualizada que muitos movie-makers brasileiros sempre perseguiram.

Isso não significa dizer que o público que tem assistido aos filmes nacionais abra mão da qualidade em termos de roteiros inteligentes, filmagens com enquadramentos diferenciados, boa trilha sonora, efeitos sonoros e visuais de alto nível, etc; pelo contrário, a demanda tem sido sempre maior no caso das produções que investem mais pesado num trabalho onde todas essas caracteristicas prevaleçam (por isso temos visto filmes brasileiros com boas carreiras nos cinemas e elogiosos comentários entre os críticos especializados como atestam os recentes "Bicho de Sete Cabeças", "O Xangô de Baker Street" ou "A Partilha").

O reconhecimento tem ocorrido também por parte do mercado externo, onde os filmes "made in Brasil" receberam inúmeros prêmios e foram inclusive, indicados ao Oscar (Casos de "Central do Brasil", "O que é isso, companheiro?" e de "O Quatrilho").

Examinaremos aqui o bem-sucedido trabalho do cineasta Fábio Barreto, "O Quatrilho", de 1995, estrelado por Patrícia Pillar, Glória Pires, Alexandre Pasternost e Bruno Campos.

A história concentra-se na imigração italiana para o Brasil na virada do século XIX para o XX, especificamente em direção a região sul, onde grandes contingentes de europeus (especialmente de italianos e alemães) acabaram se instalando e deixando suas contribuições e herdeiros até os dias atuais.

Duas trajetórias se cruzam, quatro pessoas se encontram, inicialmente deslocadas por estarem em casamentos nos quais não se realizaram pessoalmente. Nos bastidores, toda uma preocupação em mostrar um pouco do cotidiano desses recém-chegados a nossas terras, apresentando com bons resultados a forma como se vestiam, sua alimentação, as realações familiares, o mobiliário das casas, o trabalho e um pouco do lazer dessas comunidades ítalo-brasileiras em formação.
Entre os divertimentos destaca-se um jogo de cartas, chamado quatrilho, comum entre os imigrantes italianos, caracterizado por uma troca de parceiros durante a partida. O jogo concentra em sí, na simplicidade de suas regras, a dinâmica do filme e, particularmente, das relações amorosas envolvendo os casais Glória Pires e Bruno Campos de um lado e Patrícia Pillar e Alexandre Pasternost do outro.

Um filme que retrata relações tumultuadas entre casais num Brasil do início do século marcado por seus hábitos e costumes extremamente conservadores, ainda mais dentro de uma colônia de italianos católicos, não prima pela regra da época, pelo contrário, atenta para situações muito mais próprias do período de vida em que estamos inseridos hoje. No entando, as regras mais rígidas tem sido quebradas nos momentos mais impróprios, sendo assim é até possível que situação semelhante tenha sido vivenciada por alguém, por que não?

Nas escolas o filme pode servir como uma referência forte no estudo das imigrações européias que povoaram boas parcelas do sul do Brasil e de São Paulo a partir da metade do século XIX, incentivadas pelo interesse dos produtores de café e do próprio governo, motivadas pela substituição progressiva da mão de obra escrava pela assalariada num país carente de trabalhadores e com muita terra para ocupar.

As imigrações são também importantes como fator essencial para o início da instalação de indústrias no país, inicialmente como mão de obra especializada e, posteriormente, como investidores.

Um aprofundamento na cultura e nas contribuições legadas pelos italianos ao Brasil pode ser um bom tema para geografia, assim como pode criar possibilidades em redação; explorar a árvore genealógica em busca de parentes que tenham cruzado o Atlântico nesse período ou fazer com que as turmas conheçam um pouco da contribuição de descendentes de nossos "amici" italianos nas artes ou na literatura são, também, atividades que podem ser realizadas. Então, mãos a obra!

João Luís Almeida Machado
Mestre em Educação, Arte e História da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo); Professor universitário atuando na Faculdade Senac em Campos do Jordão; Professor de Ensino Médio e Fundamental em Caçapava, SP; escreve semanalmente na coluna Cinema e Educação do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br).

Envie e-mails de sugestões, comentários ou críticas para
profjoaoluis@planetaeducacao.com.br


Ficha Técnica

O Quatrilho

País/Ano de produção: Brasil, 1995
Direção: Fábio Barreto
Duração: 120 minutos
Distribuição: Europa Carat Home Vídeo
Elenco: Glória Pires, Patrícia Pillar, Alexandre Pasternost, Bruno Campos, Gianfrancesco Guarnieri, José Lewgoy, Cécil Thiré, Cláudio Mamberti.

Links

- http://e-pipoca.ig.com.br/filmes_zoom.cfm?id=1483
- http://www.adorocinema.com/filmes/quatrilho/quatrilho.htm

 

Personalize sua página.Mande suas dúvidas.Comunique-se na Internet.Converse com seus amigos.Ajude a escolher o nome do nosso mascote. Suas notícias preferidas.Mande suas dúvidas.Troque mensagens.Converse com os amigos.Em breve!