| Na
linha de frente
"O Resgate do Soldado Ryan"

Viver o cotidiano de uma guerra faz com que uma pessoa carregue
pelo resto de sua vida as marcas de uma trágica e dura
experiência. Ninguém, por mais corajoso ou valente
que seja, por mais que seja insensível ou tenha um
"coração de pedra", consegue escapar
das lembranças marcantes de um conflito violento, desumano.
Se falamos de qualquer guerra e carregamos de dor essa narrativa,
imagine então ter estado na 1ª ou na 2ª Guerras
Mundiais, enlouquecedor não acha?
Imagine
ver seus filhos, todos eles partindo para as linhas de frente
em locais tão distantes quanto à Itália,
o norte da África, a Oceania ou a França (levando-se
em conta que somos da América). Pense que naquela época,
as comunicações não tinham a mesma facilidade
de hoje em dia e que, para ter notícias de seus meninos,
muitas e muitas semanas (ou meses) se passariam. Agora ponha-se
no lugar de uma família em que não existam filhas,
somente rapazes e que, todos eles tenham idade para servir
o exército e que, todos eles tenham sido convocados
para ir a guerra. Desesperador para qualquer pai ou mãe,
não concorda?
A premissa do filme "O Resgate do Soldado Ryan"
é essa, apresentada nos parágrafos anteriores.
Uma tradicional família americana, os Ryan, viu seus
jovens filhos partirem para a 2ª Guerra Mundial. Todos
eles tiveram destinos diferentes, foram lutar em frentes de
batalha distantes, se separaram. Dois deles morreram, somente
um deles continua vivo. Ciente do abalo a que seria submetida
a família, o governo americano determinou que o rapaz
que ainda estava vivo deveria ser resgatado e mandado de volta
para os Estados Unidos.
O filme de Steven Spielberg conta a trajetória dos
soldados encarregados de realizar essa busca e embarcar o
sobrevivente Ryan (personagem vivido por Matt Damon, sempre
a vontade nos papéis que lhe são destinados)
para casa. O grupo é comandado pelo sargento John Miller
(nova indicação ao Oscar para o premiadíssimo
Tom Hanks), um professor transformado em líder de batalhão
que está no meio do desembarque dos aliados na costa
francesa da Normandia, no momento em que está acontecendo
o dia D.
O
cinema de Spielberg, de grande sucesso mundo afora, aclamado
por filmes sérios como "A Cor Púrpura"
ou "A Lista de Schindler", além de verdadeiros
arrasa-quarteirões (filmes campeoníssimos de
bilheteria) como "Caçadores da Arca Perdida",
"E.T." ou "Parque dos Dinossauros", alterna-se
entre produções voltadas para o mercado e filmes
que primam por histórias marcantes, que fazem com que
nos emocionemos e sejamos instigados a pensar. Apesar dessa
mão dupla, em ambos os casos há de se ressaltar
a qualidade técnica das produções, todas
elas de ótima qualidade.
Seja
em termos de reprodução de época (como
no caso de "O Resgate do Soldado Ryan" ou em "O
Império do Sol"), ou ainda em efeitos especiais
(os dinossauros de Jurassic Park são impressionantes!
A Industrial Light and Magic de George Lucas é responsável
pelos efeitos dos filmes do diretor), figurinos (como os do
ótimo "A Cor Púrpura" ou os de "A
Lista de Schindler"), música (em boa parte de
suas realizações Spielberg tem contado com o
auxílio do maestro John Williams, um dos melhores músicos
norte-americanos), direção de arte,...

"O Resgate" situa-se num meio termo entre filmes
de grande apelo junto ao público e as temáticas
mais respeitáveis trabalhadas por Spielberg em seus
projetos. Mescla um tema histórico de grande repercussão
(a 2ª Guerra Mundial) a uma trama bem trabalhada de busca
de um soldado (apesar de pouco plausível já
que parece pouco provável que o exército dos
EUA iria despender recursos humanos e materiais para satisfazer
as necessidades de uma família de norte-americanos
comuns). Apesar disso, o filme foi grandioso sucesso junto
aos espectadores do mundo todo e, teve forças para
ser indicado a prêmios importantes como os Oscar de
melhor filme e ator (Tom Hanks) e ter sido laureado no Globo
de Ouro (melhor filme dramático) e ter arrebatado os
prêmios da Academia nos quesitos diretor (Spielberg),
fotografia e montagem.
Além dos já mencionados méritos quanto
à parte técnica e o bom roteiro, há de
se destacar a seqüência inicial como sendo o melhor
de tudo no filme. Trata-se de um trecho que tem entre 15 e
20 minutos durante os quais se reproduz o desembarque na praia
de Omaha por parte de norte-americanos e ingleses no que ficou
conhecido na história como sendo o dia D. O esmero
na reprodução fez com que surgisse uma pequena
obra-prima do realismo cinematográfico (discordem se
acharem que estou exagerando!), o embate entre aliados e alemães
nos é apresentado de forma nua e crua, com cenas chocantes
pelo alto grau de violência e sofrimento dos envolvidos
e, também, pelo ódio que toma conta dos participantes
(tanto de germânicos quanto de americanos e britânicos).
Se pensarmos que se trata apenas de um filme e que, portanto,
os acontecimentos daquele episódio devem ter sido muito
piores quando realmente aconteceram...
O filme é certeza de diversão mesmo sabendo-se
que a trama não é totalmente verossímil,
o que vale a pena mesmo é assistir para sentir-se dentro
do clima tenso da guerra (especialmente no tocante ao dia
D), acompanhando os passos dos soldados e vendo toda a destruição
e o medo sentidos pelos civis e pelos próprios militares.

No
que se refere à escola, o professor deve assistir e
selecionar os trechos que considerar válidos de apresentação
para os alunos (não se esqueçam das dicas sobre
como lidar com filmes em sala de aula apresentadas na página
de Cinema e Educação do portal Planeta Educação),
procurar depoimentos sobre a guerra dados por sobreviventes
(é possível encontra-los em livros paradidáticos),
promover discussões envolvendo outras disciplinas como
literatura, redação, geografia ou filosofia
ou ainda pedir textos em que se peça ao aluno que escreva
como se fosse um soldado, envolvido no meio daquele tremendo
tiroteio do início do filme. Movimentando os alunos
com atividades como essas, a tendência é que
ele se sinta mais atraído pelo assunto e que aprenda
com maior desenvoltura. Então, mãos a obra!
Vamos ao filme!
João Luís Almeida Machado
Mestre em Educação, Arte e História
da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São
Paulo); Professor universitário atuando na Faculdade
Senac em Campos do Jordão; Professor de Ensino Médio
e Fundamental em Caçapava, SP; Colunista para assuntos
de Educação no Portal Planeta Educação
Envie e-mails de comentários, sugestões e críticas
para:
profjoaoluis@planetaeducacao.com.br
Ficha Técnica
O Resgate do Soldado Ryan
(Saving Private Ryan)
País/Ano de produção:
EUA, 1998
Duração/Gênero: 170 min.,
drama/guerra/aventura
Disponível:- VHS e DVD
Direção de Steven Spielberg
Roteiro de Frank Darabont e
Robert Rodat
Elenco: Tom Hanks, Tom Sizemore, Edward Burns,
Ted Danson, Matt Damon.
Links
-
http://www.cineguia.com.br/index.shtml?cod_filme=CNA1018&rg=0
- http://e-pipoca.ig.com.br/filmes_zoom.cfm?id=619
- www.rzm.com/pvt.ryan/index.html
(site oficial)
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