Coragem,
obstinação e conquistas – Os Caminhos
da Ciência
A Sociedade para o Progresso da Ciência e a Ciência
Hoje
www.uol.com.br/cienciahoje
Uma
das maiores críticas que se faz ao Brasil refere-se
aos baixos investimentos feitos na área de Ciência
e Tecnologia. Tal crítica confere com a realidade.
Excetuando-se alguns institutos de pesquisa privilegiados
por investimentos governamentais em áreas fundamentais,
normalmente relacionados a filões de mercado extremamente
lucrativos (e que, por esse motivo contam com a liberação
de polpudas verbas por parte do próprio governo ou
da iniciativa privada), o que se vê é uma morosidade
incrível para um país que pretende compor
a vanguarda no milênio que se inicia.
Algumas
universidades também investem no desenvolvimento
de pesquisas que possibilitem o surgimento de novas teorias,
materiais, alimentos ou recursos que permitam a melhoria
da vida dos cidadãos brasileiros (e que, possam mesmo,
ser produto de exportação para o mercado externo).
Normalmente essa preocupação refere-se as
instituições públicas, e, ultimamente,
alguns grupos privados parecem dispostos a colocar algum
capital em projetos de pesquisa conduzidos por cientistas
brasileiros.
A
simples menção a ‘cientistas brasileiros’
por vezes nos parece pouco apropriada. Refiro-me ao cidadão
comum, pouco afeito a idéia de que, por menores investimentos
que sejam feitos por aqui, ainda assim existem especialistas
e pesquisadores formados em nosso país. Muitos, tão
capacitados quanto os melhores norte-americanos, japoneses
ou europeus, acabam sendo levados para trabalhar fora do
Brasil. Faltam verbas, materiais, condições
adequadas nos locais de trabalho, incentivo, disposição
política para incrementar o trabalho desses profissionais
e, em contrapartida, no exterior, esses “pormenores”
são oferecidos.
Isso,
obviamente afeta o estudo da ciência não apenas
nas universidades mas, também, nos ensinos fundamental,
médio e técnico. Os mesmos problemas estruturais
que encontramos entre profissionais da pesquisa, são
vivenciados pelos professores de química, biologia
e física nas escolas. A Ciência é estudada
com base em textos (alguns dos quais obsoletos, ultrapassados),
em aulas expositivas que pouco atraem a atenção
dos jovens e crianças e sem base em experimentação
(trabalho em laboratórios). Como esperar que a situação
da pesquisa altere-se quando o futuro desse setor é
totalmente comprometido na formação de base?
Pensando
nisso, no final dos anos 1940 surgiu a Sociedade
Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
Na esteira do trabalho realizado por essa instituição
vieram a revista Ciência
Hoje (que surgiu em 1982), uma publicação
voltada para o público infantil chamada Ciência
Hoje das Crianças e o projeto Ciência
Hoje na Escola (que resultou na criação
de materiais paradidáticos na área de ciências
voltado para a atuação dos professores em
sala de aula).
Com
o advento da internet, a possibilidade de popularizar ainda
mais as publicações e as pesquisas resultou
num importante site da internet, www.uol.com.br/cienciahoje,
onde encontramos canais que nos ligam diretamente as referidas
publicações da SBPC que permitiram divulgar
um pouco da realização científica nacional,
os links:- Revista Ciência
Hoje, Ciência
Hoje das Crianças, Ciência Hoje na Escola
e, complementando, opções como Ciência
em Dia, Perfis e Especiais.
Ao
entrarmos na homepage do site encontramos as manchetes em
destaque, apresentando artigos disponibilizados pela revista
Ciência Hoje e, as novidades mostradas na publicação
voltada para as crianças. Enquanto preparo esse artigo
visualizo as matérias em destaque e leio algumas
delas (Na Ciência Hoje são matérias
sobre quasares, comparações entre os genomas
de bactérias fitopatógenas, buracos negros,
a arte cerâmica dos índios Tapajós,
o surgimento da vida, a resenha de um novo livro sobre Einstein,
o combate da poluição com bactérias
e levedura; e na Ciência Hoje das Crianças
destacam-se artigos sobre a Malária e a Costa Rica).
Há
uma notável preocupação por parte dos
responsáveis pelo material para crianças no
sentido de dispor informação que seja acessível
ao jovem internauta que estiver acessando o site, por isso,
tenta-se diluir o linguajar utilizado, evitando termos muito
complexos. Isso não significa facilitar demais ou
infantilizar o conteúdo, pelo contrário, os
termos adequados e fundamentais são utilizados sempre
que for necessário. Na medida em que lia o artigo
sobre a Malária pude perceber a utilização
de ilustrações, mapas de localização
da doença e links conectando a um gráfico
explicativo do ciclo da malária e a um centro de
informações especializado na doença.
A
mesma preocupação se revelou nos artigos voltados
para o público jovem e adulto, ao longo dos textos
são dispostas imagens relacionadas ao tema e palavras
em destaque constituindo links para explicações
dadas em outros artigos, que tenham alguma relação
com o estudo que está sendo apresentado.
Ao
acessarmos a parte dedicada especialmente as publicações
(Ciência Hoje
e Ciência Hoje das Crianças)
nos são mostrados os artigos que estão disponíveis
nas edições que se encontram nas bancas. Alguns
desses artigos são disponibilizados para a internet,
outros (infelizmente), apenas nas revistas. Para a alegria
dos interessados, há conexões que nos ligam
as edições anteriores das publicações,
preste atenção pois esses links aparecem quando
acessamos a página da revista do mês, logo
acima da identificação da revista (por
exemplo, CHC 124 – MAIO 2002), através da palavra
arquivo (a mesma situação se repete nos outros
canais do site, ou sejam
Perfis, Especiais e Ciência Hoje na Escola).
Entrando
na conexão Ciência
Hoje na Escola, novos links para artigos.
Percebe-se que são voltados para o público
escolar pela qualidade dos textos (nota-se novamente uma
diluição do vocabulário) e pelos temas
(abrangendo áreas tão variadas quanto a geografia,
a história, a química, a biologia, a física,...).
O destaque nas páginas é novamente o uso de
conexões rápidas a explicações
relativas aos temas de apoio das matérias principais
(no artigo “Viagem à Grécia”,
são disponibilizados caminhos para se conhecer um
pouco mais sobre os Deuses da mitologia grega, o Monte Olimpo
e a expressão “presente de grego”).
Ciência
em Dia nos mostra descobertas recentes,
pesquisas em andamento, levantamentos em diversas áreas,
atualidades do mundo científico. Para quem reclama
da dificuldade para acompanhar as melhorias obtidas nos
quatro cantos do mundo, é pedida certa!
Os
Perfis apresentados
na revista são elucidativos em vários sentidos.
Nos permitem conhecer grandes cientistas e pesquisadores
das mais variadas nacionalidades e, em especial, os nossos
“pais da matéria” (brasileiros) em diversas
áreas de especialização (temos por
exemplo, Florestan Fernandes, Milton Santos, Maurício
da Rocha e Silva lado a lado com Jacob Palis e Peter Lund).
Na
área do site dedicada a temas
especiais podemos encontrar matérias
voltadas para temas de grande repercussão no universo
científico, seja a nível nacional ou internacional.
Entre os materiais destacados pude encontrar, por exemplo,
artigos dedicados ao estudo e exame da clonagem, das drogas,
as armas biológicas, ao trabalho conjunto entre a
genética e a arqueologia, a utilização
dos recursos naturais no Brasil e a Amazônia.
Informações
atualizadas, espaço dedicado aos jovens e as crianças,
visual muito agradável, textos inteligíveis,
assuntos que interessam a especialistas das mais diversas
áreas e destaque para a produção científica
nacional. Tanto as publicações que estão
nas bancas quanto o site da
SBPC, Ciência
Hoje, estão de parabéns pela
iniciativa corajosa e pelo espaço dado a valorização
da produção brasileira, assim como, pela oportunidade
dada aos estudantes de acessar informações
sobre o mundo científico e, dessa forma, se apaixonar
por todos esses conhecimentos!
João
Luís Almeida Machado
Mestrando em Educação, Arte
e História da Cultura (Universidade Presbiteriana
Mackenzie, em São Paulo); Professor universitário
atuando na Unitau (Universidade de Taubaté) e na
Faculdade Senac em Campos do Jordão; Professor de
Ensino Médio e Fundamental em Caçapava, SP;
Colunista para assuntos de Educação no Portal
Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br).
Envie e-mails com comentários, sugestões
e críticas para:
profjoaoluis@planetaeducacao.com.br