Quando nos tornamos protagonistas da história
Museu da Pessoa
www.museudapessoa.com.br
 
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de 25/02/2003 |
Quem
é você? O que você faz? Onde vive? Que
pessoas convivem com você? Quais são os seus
hábitos alimentares? Onde estudou? Passou por restrições
ou dificuldades em sua infância? Teve uma vida confortável,
sem grandes percalços? Quais foram os padrões
de vestuário que caracterizaram as fases da sua história?
Como é (ou era) o seu trabalho?
Quantas
e quantas perguntas poderíamos fazer afim de podermos
decifrar um pouco daquilo que há dentro de cada um
de nós, que constitui a nossa história particular
de vida?
Quantos
entre nós teriam disposição e coragem
para abrir as páginas desse livro tão íntimo,
tão pessoal?
E
para que poderiam servir depoimentos, entrevistas, fotos,
filmagens, gravações sonoras de pessoas comuns,
simples mortais como nós?
Que
tal pensarmos em memória coletiva. Que tal tentarmos
compreender os vários e diferenciados momentos da
história de nosso povo e da humanidade em geral?
Sem
dúvida que documentos como esses poderiam permitir,
quando comparados, avaliados, equiparados e analisados uma
percepção clara da história, da cultura,
das relações familiares, dos hábitos
do cotidiano ou mesmo do particular inserido no geral, no
público.
Que
tal começar o exercício proposto acima com
seus familiares ou com seu próprio conjunto de memórias.
Às vezes me vejo recapitulando com os colegas de
trabalho vários pontos comuns entre nossas infâncias
(jogos, desenhos animados da televisão, alimentos,
escola,...); em outros, quando em sala de aula, me vejo
encurralado por perguntas de meus alunos que considero interessantes
justamente por colocarem nossos universos e nossa formação
em choque (o que me faz ponderar meus posicionamentos e
tentar entender se, afinal, não estou me tornando
um "dinossauro").
Essas
ponderações podem ser ampliadas se pudermos
ler outros depoimentos, entrar em contato com outras realidades
e histórias de vida (várias delas verdadeiramente
deliciosas), ver imagens que nos surpreendem por nos mostrar
situações, pessoas, lugares e relacionamentos
como não podemos imaginar (por não fazerem
parte do nosso imaginário). Isso pode ser feito,
basta digitar o endereço do Museu da Pessoa (www.museudapessoa.com.br).
O acervo que está disponível já é
considerável, no entanto, entre outras opções
interessantes, existe a possibilidade de colocar sua própria
história nos anais desse grande arquivo on-line e
eternizar-se (virando, inclusive, referência para
que outras pessoas possam conhecer você e o seu mundo,
seu tempo).
O site
Há
algumas possibilidades interessantes que tornam o Museu da
Pessoa uma visita obrigatória para professores e alunos.
Entre as quais poderia destacar:
1)
O Acervo constituído por depoimentos e entrevistas
dados por pessoas das mais diferentes localidades, formações,
idades, posicionamentos políticos, religiões,...
2)
O setor de Fotografias, onde através das imagens
viajamos no tempo para várias partes do Brasil, conhecemos
pessoas, identificamos formações familiares,
hábitos e um pouco da cultura desse nosso imenso
país.
3)
Há espaço específico (nos caminhos
Projetos, Almanaque e Educação do menu inicial)
dedicado a descrição de projetos educacionais
que são desenvolvidos com o intuito de buscar essa
memória individual, perdida na imensidão de
nossas terras. Orientações para os professores
e indicação de caminhos de pesquisa a serem
feitos pelos alunos.
4)
Os Áudios apresentados, apesar de pouco numerosos
e curtos, nos apresentam traços marcantes da formação
e da orientação dos imigrantes que se estabeleceram
no Brasil.
5)
Depoimentos interessantes constituem o acervo de Vídeos
apresentados pelo Museu da Pessoa, falta apenas aumentar
a quantidade de documentos disponíveis para que as
possibilidades de aproveitamento pelos internautas tornem-se
ainda maiores.
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Para
os educadores
Que tal fomentar projetos
de História Oral em suas salas de aula. Motivar
seus alunos a buscar nossas raízes. Mostrar a
eles que na nossa história particular de vida
existe um pouco daquilo que é mais amplo, mais
abrangente. Todos nós somos um pouco da diversidade
que encontramos em nosso país e no mundo em que
vivemos.
Depoimentos de imigrantes italianos,
turcos, portugueses ou alemães. Documentos escritos
legados por pessoas das classes sociais mais elevadas
e também por gente humilde, de pé no chão,
de nenhuma ou pouca instrução. Retratos
de um povo mestiço, meio branco e meio negro,
com sangue indígena correndo nas veias, com a
pele de cor um tanto quanto indefinível, sobretudo,
tupiniquim, brasileira. Tudo isso encontramos no site
do Museu da Pessoa, no entanto, muito mais podemos descobrir
em nossos bairros, em nossas cidades, em nosso estado,...
Descobrir
a nossa memória. Tirar as cobertas de cima de
nossa brasilidade. Encontrar nossa identidade. Ter orgulho
de nossas histórias pessoais. Sentir prazer nesse
encontro com o que somos para que possamos projetar
nosso amanhã com segurança, com esperança
e com sabedoria!
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João
Luís Almeida Machado
Mestre em Educação, Arte e História
da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São
Paulo); Professor universitário atuando na Unitau (Universidade
de Taubaté) e na Faculdade Senac em Campos do Jordão;
Professor de Ensino Médio e Fundamental em Caçapava,
SP; escreve semanalmente na coluna Cinema e Educação
do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br) |