Consciência coletiva
Prioridade total é combater o desperdício

O desperdício de alimentos chega a 30%
em mercados e feiras. Também se perdem
muitas
verduras, legumes e frutas em virtude do péssimo
manuseio, acondicionamento e transporte.
Pare para pensar um pouco a respeito
dos seguintes dados, apresentados a seguir:
-
Um vazamento que consome 300 litros
de água por dia, no final de
um mês representará 9.000
litros de água perdidos, ou
nove caixas de mil litros cada uma.
-
Que 30% das hortaliças são
perdidas entre a produção
e a distribuição (industrialização,
armazenagem e transporte)?
-
Que cerca de 50% do lixo doméstico
corresponde a alimentos descartados,
ricos em nutrientes, que poderiam (ainda)
ser aproveitados...
-
Que se uma família desperdiça
350 gramas de alimentos por dia, em
um mês acaba jogando fora mais
de 10 quilos de comida...
-
Que uma casa brasileira desperdiça
em média, 20% dos alimentos
que compra semanalmente?
-
Que, segundo dados do IBGE, em todo
o país apenas 60% dos esgotos
urbanos são recolhidos. Destes,
apenas 33% são tratados. Assim
somente 20% dos esgotos produzidos
no país são tratados...
-
Que... 60% das internações
nos hospitais públicos estão
relacionadas a doenças de veiculação
hídrica, ou seja, que se propagam
por meio de água não
tratada ou poluída.
Fonte
das informações:
Instituto Akatu (Pelo Consumo Consciente) http://www.akatu.net/default.asp |

Campanhas de conscientização são
fundamentais para evitar
que os problemas atinjam proporções
ainda maiores.
Poucas questões são tão
fundamentais para os seres humanos quanto sua
preservação, sua sobrevivência.
A luta pelos recursos indispensáveis
para se manter é tão antiga quanto à própria
humanidade. Iniciou-se com a coleta de frutos,
a caça de pequenos animais ou a pesca
rudimentar a beira de rios e mares. Nos acostumamos
a enfrentar intempéries de toda a espécie,
do clima tantas vezes cruel e fatídico,
passando pela força e voracidade de outros
animais e grupos humanos e, mesmo, desembocando
em nossa própria inclemência com
o planeta, tantos e tantos são os solavancos
que temos provocado no ar, na água e
nos solos, especialmente depois da efetivação
dos processos industriais, há aproximadamente
200 anos.
Nossa voracidade em busca da sobrevivência
parece nos encaminhar para o destino contra
o qual lutamos (arduamente) há tanto
tempo, a destruição e o extermínio
da humanidade.
Razões para nos preocuparmos? Temos muitas.
- A fonte parece
estar secando, a água
potável, recurso de oferta limitada,
tem sido poluída e desperdiçada
com enorme constância. Inconscientes de
que um dia esse recurso pode acabar, gastamos
muito mais do que necessitamos. Nossos banhos
são muito mais longos do que precisamos.
Escovamos os dentes com a torneira aberta. Lavamos
carros e varandas todos os dias. Despejamos
dejetos domésticos e industriais no leito
de rios...
- Os índices
de produtividade agrícolas têm,
felizmente, crescido nos últimos anos,
pelo menos no Brasil. Entretanto, ainda assim,
temos milhões
de pessoas que sofrem o flagelo da fome. Adultos,
crianças e idosos que não tem
a garantia de, nem ao menos, uma refeição
por dia. Quanto menos à quantidade mínima
de calorias a serem ingeridas por homens e mulheres
diariamente...

Atitudes simples como não
lavar as varandas e quintais com mangueiras
(procurar varrer e,
caso precise de água, utilizar baldes,
rodos e panos) e escovar os dentes abrindo a
torneira apenas quando for necessário,
representam uma enorme economia de recursos,
são portanto, essenciais. (Acima temos
campanhas de conscientização da
Prefeitura de Jaboticabal e da Sabesp).
- O desperdício
está em
todas as partes. Em nossas casas, nos mercados
municipais, nas feiras, nos supermercados, em
restaurantes e lanchonetes. As pessoas jogam
fora aproximadamente 20% dos alimentos que compram.
Imaginem o que daria para fazer se ao invés
de jogarmos fora, reduzíssemos o consumo
para as quantidades adequadas (20% a menos,
em média), o que isso poderia representar
em termos de economia... Quantas pessoas a mais
poderiam ser alimentadas?
- O manuseio
e o transporte, assim como o próprio
processo de seleção
do produto também é pernicioso
e culpado dentro da cadeia de desperdícios
que se estabeleceu em nosso país. Os
dados demonstram que se perde, em média,
30% de produtos como verduras, legumes e frutas
nesses momentos. Daria para resolver o problema
da fome no Brasil...
- E o que falar
de vazamentos, gastos com descarga (poderíamos
reduzir o consumo de água em até 60%
se atualizássemos
os dispositivos utilizados tradicionalmente
no país), despejo de dejetos em rios,
lixões que contaminam lençóis
freáticos,...
- As conseqüências
estão
ao alcance do olhar e percepção
de todos nós. Racionamentos emergenciais,
falta de energia provocada pelo baixo nível
dos reservatórios, doenças e epidemias
que acreditávamos já ter erradicado,...
- O que precisamos
fazer? O que podemos mudar? De que forma conseguiremos
vencer as dificuldades pelas quais passamos?
O primeiro passo é compreender claramente
que agimos e vivemos em coletividade. Portanto,
nossas ações têm repercussão
para todos os seres humanos e, também
para as demais espécies que vivem no
planeta.
Consciência coletiva .
Sociol. 1. Conjunto de representações,
de sentimentos ou de tendências
não explicáveis pela
psicologia do indivíduo, mas
pelo fato do agrupamento dos indivíduos
em sociedade. Consciência de
si. ( Dicionário Aurélio) |
Isso significa que temos que agir de forma solidária.
Pensar e realizar em favor dos outros deixou
de ser somente filantropia, representa muito
mais, equivale à sobrevivência
do conjunto, de cidades inteiras, de países,
do próprio planeta e, como conseqüência,
de cada um de nós.
Se não nos organizarmos e agirmos em
favor da ampliação da rede de
esgotos e tratamento da água ou pelo
fim dos lixões, não é improvável
que soframos os efeitos de contaminações
que causem diarréias, dores de cabeça,
febres, dores no corpo ou situações
ainda piores...
Quando agimos em conjunto, numa composição
de forças entre as comunidades, as empresas
e o governo, conseguimos reverter situações
complicadas e, aparentemente, insolúveis.
São inúmeros os exemplos de como
a ação solidária, reflexo
de consciência coletiva, produzem efeitos
benéficos. Na maioria das vezes, superamos
nossos pequenos mundos e agimos pelo grupo em
situações limite, causadas por
acidentes naturais (enchentes, secas, grandes
nevascas,...), guerras, epidemias...
O que não podemos deixar de perceber é que
o desperdício de recursos essenciais
como água e alimentos é um acidente
tão ou mais nefasto que qualquer enchente
ou seca. Ainda mais se pensarmos que podemos
evitá-lo com ações simples
como tomar banhos mais curtos ou comprar e consumir
apenas a quantidade de alimentos suficiente
para saciar nossa fome (além do que,
se comemos demais, estamos fadados a outros
tipos de doenças e moléstias como
obesidade, problemas cardíacos,...).
Alguns especialistas dizem que se continuarmos
a desperdiçar água, no futuro
não teremos guerras por petróleo
ou outros minérios essenciais para o
esforço produtivo. Teremos conflitos
motivados pela água. Os países
entrarão em caos total pela falta desse
elemento essencial...
A falta de saneamento causada pelos lixões,
pela falta de esgotos ou pelo não tratamento
da água é a maior motivadora de
doenças em nosso país. Lota hospitais,
aumenta os gastos com remédios, leva
a mortes, causa epidemias...
Está mais do que na hora de revermos
nossos conceitos...
Obs. Para maiores informações
e aprofundamento nesse assunto, assim como para
poder auxiliar no combate ao desperdício,
recomendo que os internautas visitem a página
do Instituto Akatu (www.akatu.net). Há muitas
informações e artigos a respeito
do assunto, além de orientações
e dicas valiosas relativas a como diminuir seu
próprio desperdício.
João Luís
Almeida Machado
Mestre em Educação, Arte e História
da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie,
em São Paulo); Professor universitário
atuando na Faculdade Senac em Campos do Jordão;
Professor de Ensino Médio e Fundamental
em Caçapava, SP; é colunista e
pesquisador do Portal Planeta Educação
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