Ler
e Escrever...
E
as taxas de Evasão e Reprovação
continuam altas...

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Um exame rápido das manchetes publicadas
pela Folha de São Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/)
e uma comparação desses dados com
as tabelas de produtividade do Fluxo Escolar
dos Ensinos Fundamental e Médio entre
os anos de 1995 e 2000 (disponíveis no
site do INEP, www.inep.gov.br)
nos colocam diante de um dilema: Mesmo com todos
os investimentos e reformas promovidas no sistema
educacional ao longo dos últimos anos
de governo, as taxas de reprovação
continuam elevadas, assim como as de evasão
escolar. O que mais precisa ser feito para que
possamos superar as persistentes mazelas que
corroem a formação educacional
de nossas crianças e jovens?
- Os artigos publicados pela Folha de São
Paulo destacam justamente o crescimento das taxas
de reprovação no país ("Repetência
volta a crescer no Ensino Médio no país"),
a dúvida quanto à eficácia
do sistema de ciclos ("Escolas que adotam
os ciclos no Brasil são minoria"),
a insatisfação da clientela servida
pelas redes que adotam o sistema de ciclos nos
estados de São Paulo e Minas Gerais ("Mães
criticam formação insuficiente")
e o aumento da evasão escolar ("Evasão
escolar aumenta em quatro anos").
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Coincidentemente, o crítico da Revista
Veja, Diogo Mainardi, aborda a questão
da qualidade da educação no Brasil
no artigo "Escola é perda de tempo".
Destaca que, de acordo com os dados do governo,
"...60% dos alunos da 4ª série
não sabem ler nem efetuar as quatro operações";
critica o governo em sua pretensão de
erradicar o analfabetismo oferecendo cursos de
6 meses; e arremata dizendo que os problemas
avolumam-se em virtude da política governamental,
do despreparo dos professores e da pretensão
de nossos educadores ao propor um currículo
tão extenso quanto o que possuímos.
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Na mesma edição da revista Veja
(ed. 1821, nº 38, de 24 de Setembro de 2003),
há uma matéria importante relacionada
aos problemas que vivemos na educação.
Intitulada "O endereço é que
está errado", trata da dificuldade
existente no Brasil de direcionar os recursos
coletados através da captação
de impostos (uma das mais altas cargas tributárias
do mundo) para as pessoas que mais precisam desses
recursos, aqueles que possuem renda per capita
inferior a 100 reais mensais.
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Apesar dos evidentes aumentos de investimentos
na área social perpetrados pela administração
de Fernando Henrique Cardoso e, da preocupação
com os pobres que norteia os trabalhos do governo
Luiz Inácio Lula da Silva, é necessário
que o uso do dinheiro público seja feito
de forma racionalizada, destinando mais a quem
mais necessita.
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Isso significa, no que se refere à educação,
um investimento numa sólida e bem edificada
alfabetização, calcada em fórmulas
bem sucedidas das melhores escolas de nosso país
e em propostas educacionais aplicadas em nações
estrangeiras que estejam desenvolvendo respostas
adequadas e eficientes aos dilemas do 3º
milênio.
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Pode-se argumentar que as reformas promovidas
na educação nos anos passados tinham
essa intenção e conseguiram reverter
resultados negativos e, ao mesmo tempo, permitir
ao Brasil um notável progresso na área
educacional que veio a ser reconhecido internacionalmente
com prêmios e láureas da própria
Organização das Nações
Unidas (ONU).
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Com certeza afirmações serão
feitas de que já estamos estudando os
casos bem-sucedidos das melhores escolas brasileiras
e que, a vanguarda da educação
mundial (Perrenoud, Coll, Emília Ferrero,...)
já é estudada por nossos professores
e tema de congressos, cursos, graduações
e pós-graduações...
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Há de se dizer que as condições
materiais das escolas têm melhorado, mesmo
que ainda distantes das condições
ideais; que o salário dos professores
melhorou (ainda que os educadores não
percebam isso claramente, ao menos como os governos
desejam); que os cursos de atualização
são cada vez mais freqüentes para
todos aqueles que trabalham com educação,...
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Sem dúvida que todas essas ponderações
são válidas e refletem muito do
que tem acontecido em nosso país. Entretanto,
ainda estamos distantes daquilo que esperávamos
ter atingido depois de mais de 8 anos de estudos,
investimentos e transformações
na educação. É nesse ponto
que passamos a ficar preocupados e temos que,
necessariamente, rever posturas e práticas.

Em livro publicado pela
Editora Brasiliense na década de 1980,
Paulo Freire e outros educadores já demonstravam
suas
preocupações quanto aos investimentos
públicos na educação.
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O endereçamento do dinheiro público
destinado aos projetos de caráter social
é um dos mais prementes ajustes a serem
feitos. Medidas como a que será tomada
pelo governo Lula nos próximos dias, fundindo
no Bolsa-Família os recursos destinados
a alimentação, a compra de gás
e a educação, permitindo a chegada
desses recursos de uma só vez para as
famílias pobres pode ser uma boa resposta.
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Por outro lado, tentar erradicar o analfabetismo
a um custo mensal de R$ 15,00 não parece
política das mais sérias. O mais
irônico é saber que para o projeto
de alfabetização o governo destinou
95 milhões de reais enquanto para as linhas
de crédito para a compra de eletrodomésticos
da "linha branca" foram liberados mais
de 200 milhões...
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Talvez seja hora de colocar os planos e projetos
em prática. Quem sabe tenhamos que, nesse
momento, tornar todos os ensinamentos, cursos,
planejamentos, investimentos e estratégias
aprendidas nos últimos anos em ações
que revertam em benefícios reais. Em educação
isso significaria, simplesmente, evitar que nossos
alunos cheguem a 4ª ou 5ª séries
do Ensino Fundamental, sem saber ler ou escrever...
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E, mais que isso, que esse ler ou escrever, não
se limite a um mero reconhecimento das palavras;
que lhes permita entender o que é evasão,
repetência, ciclos; que lhes possibilite
questionar onde é aplicado o dinheiro
público e participar sua opinião
a respeito quanto a como e onde deve ser investido;
que lhes dê a condições de
viver com dignidade e ter chances reais de se
suster sem depender da malha de proteção
social do governo...
João Luís Almeida Machado
Mestre em Educação,
Arte e História da Cultura (Universidade
Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo);
Professor universitário atuando na Faculdade
Senac em Campos do Jordão; Professor de
Ensino Médio e Fundamental em Caçapava,
SP; escreve semanalmente na coluna Cinema e Educação
do Portal Planeta Educação
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