Parabéns pra você...
50
anos de Petrobrás

No último dia 03 de Outubro, a Petrobrás
completou 50 anos de vida.
50 anos. O que isso representa? Maturidade?
Para pessoas como eu ou você, espera-se
que sim. Para uma empresa de grande porte como
a Petrobrás, a expectativa é um
tanto quanto diferente. A cada novo ano incorporado
ao currículo da empresa traçam-se
novas metas e há novas vitórias
a serem atingidas. A dinâmica do sistema
assim o exige. As demandas do capitalismo definem
que uma empresa tem que buscar o crescimento
como uma constante. Não há paradas.
Não devem existir pausas...
É claro que se esperam crises, solavancos
provocados por períodos recessivos, prejuízos
causados por administrações menos
capazes (ou responsáveis) ou acidentes
de percurso.
A história da Petrobrás, a maior
empresa brasileira e uma das maiores petrolíferas
do mundo, tem sido marcada por grandes vitórias
e por alguns percalços. Mais recentemente
as maiores dificuldades da empresa se encontram
em sua relação com o meio ambiente.
Acidentes que provocam derramamento de toneladas
de petróleo em praias próximas
a portos ou plataformas controladas pela empresa
tem causado danos consideráveis a fauna,
a flora e a própria saúde do mar
onde ocorreram esses lamentáveis incidentes.
A despeito disso, temos muito mais a celebrar
que lamentar nesses 50 anos de história.
Estamos bem próximos de atingir a auto-suficiência
e suprimir de vez a necessidade de importações
regulares de petróleo. A economia de
recursos será expressiva e poderá redundar
na utilização desse capital para
investimentos em projetos sociais ou de crescimento
econômico.
A prospecção em alto-mar e o trabalho
em plataformas marítimas são
exemplos do crescimento e do amadurecimento
da Petrobrás.
Conseguimos nessas cinco décadas formar
gerações de trabalhadores cada
vez mais especializados e de competência
indiscutível para atuar na indústria
petroquímica. Nada devemos aos centros
mais desenvolvidos do setor. Estamos, inclusive,
na frente em determinados setores relativos à prospecção
e extração, como por exemplo,
no trabalho em alto-mar.
Produzíamos o equivalente à (perto
de) mil barris de petróleo por mês
quando a Petrobrás iniciou suas atividades.
Hoje a empresa se aproxima de 1 milhão
de barris por mês. Em 50 anos sua produção
aumentou em mil vezes! Imaginem o quanto isso
representa em termos de projetos, investimentos,
oportunidades de trabalho e lucros...
Nem mesmo Getúlio Vargas em 1953 poderia
prever tal crescimento. Por mais que fosse declaradamente
nacionalista Getúlio não tinha
instrumentos que permitissem a ele projeções
de tal natureza e, tampouco a Petrobrás
de então, ainda em seu estágio
embrionário, poderia nos fazer crer em
seu futuro extraordinário.
Atuando não apenas no setor de prospecção
e extração conforme mencionamos
anteriormente, a Petrobrás praticamente
monopolizou o setor petrolífero no Brasil
(só não possuía exclusividade
de atuação no setor de venda direta
ao consumidor final). Refinava, produzia combustíveis
e gás de cozinha, vendia derivados que
permitiam o abastecimento de indústrias
que produziam plásticos e demais subprodutos
do petróleo, distribuía Brasil
afora e ainda possuía uma enorme quantidade
de revendedores credenciados por seu logotipo.

“Carlota Joaquina” e “O Quatrilho” são
exemplos de produções culturais que
contaram com o apoio da Petrobrás.
A empresa se tornou nos últimos anos
(assim como outras estatais) uma das principais
agenciadoras e patrocinadoras de eventos culturais
e esportivos em nosso país. Além
disso, tem financiado equipes esportivas e atletas
que conquistaram medalhas e prestígio
mundo afora em diversas modalidades. Suas contribuições
no cinema, por exemplo, tem permitido a produção
de diversos filmes, alguns deles de enorme repercussão
junto ao público e a crítica,
dentro e fora do Brasil.
O investimento em projetos pioneiros como o
Proálcool, criado com o objetivo de permitir
ao Brasil a independência em relação
ao uso de combustíveis fósseis
e o estabelecimento de uma nova tecnologia,
pautada na utilização de uma fonte
renovável de recursos, a cana de açúcar,
foi outra iniciativa interessante da Petrobrás.
Os objetivos atingidos até o final da
década de 1980 foram expressivos. Os últimos
anos têm registrado um crescimento nas
vendas de automóveis movidos a álcool.
Não atingiremos os níveis de venda
desse combustível conseguidos no passado,
entretanto, a tecnologia existe e está disponível.
Empregos, cultura, ciência, tecnologia,
produtos de grande aceitação no
mercado nacional e internacional.
Mesmo levando-se em consideração
o uso político da empresa, os cabides
de emprego que eventualmente foram criados,
os projetos que redundaram em fracasso (como
o projeto do Xisto) e os impactos ambientais
provocados por ações da empresa,
as 50 velas que foram colocadas no bolo da Petrobrás
são representativas das vitórias
e do sucesso obtido por essa empresa, verdadeiro
orgulho nacional. Parabéns!
João Luís
Almeida Machado
Mestre em Educação, Arte e História
da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie,
em São Paulo); Professor universitário
atuando na Faculdade Senac em Campos do Jordão;
Professor de Ensino Médio e Fundamental
em Caçapava, SP; escreve semanalmente
na coluna Cinema e Educação do
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