Pobres Crianças...
Falta
comida, escola, saúde, informação,...

A fome é um dos
maiores flagelos mundiais. As crianças
são suas maiores vítimas.
Apesar do trabalho de várias Organizações
Não Governamentais e do esforço
do próprio
Governo do Brasil, ainda estamos longe de garantir
a todas as crianças esse direito essencial.
Estudo
da Unicef define que mais de 50% das crianças que vivem em países pobres
passam por dificuldades crônicas em pelo
menos um entre sete itens utilizados para estipular
o que seria uma condição digna
de vida.
-
Em pesquisa divulgada na semana passada,
realizada em 48 países, inclusive o Brasil,
verificou-se que a qualidade da habitação,
do saneamento básico, da água,
da educação, do acesso a informação,
da saúde e da alimentação
de aproximadamente 56% das crianças está abaixo
dos índices considerados mínimos
pelas entidades internacionais.
-
Quando falamos em mínimo em termos
de habitação, podemos imaginar
que essas crianças vivem em favelas ou
cortiços, amontoados em pequenos cômodos,
sem luz elétrica ou água encanada,
ao lado de lixões ou com o esgoto correndo
a céu aberto. É um retrato que
não está somente do outro lado
do mundo, na Índia ou no Paquistão,
nem tampouco em miseráveis países
africanos como a Somália ou a Etiópia,
encontra-se diante de nossos narizes, nas esquinas
das grandes cidades, nos faróis, nos
viadutos e na crescente marginalidade...
-
Quando pensamos em mínimo em termos
de saneamento básico, temos que necessariamente
refletir acerca de nossos rios poluídos
pelo excesso de dejetos e lixo proveniente de
casas e indústrias; lembramos também
dos depósitos de lixo lotados onde centenas
de pessoas passam o dia a revirar as pilhas
de material orgânico e inorgânico
em busca de resíduos que ainda possam
ser consumidos ou sucata a ser vendida; imaginamos
o quanto faz falta um programa de conscientização
e educação em nosso país
a favor da limpeza das vias públicas,
o simples “jogar lixo no lixo” que
poderia economizar dinheiro público ao
evitar que as bocas de lobo fiquem entupidas
e causem enchentes, perdas materiais, leptospirose,...

Em vários municípios do Brasil
há crianças trabalhando
diariamente
em lixões.
Convivem com a sujeira, ratos, insetos
e com
a possibilidade de adquirir doenças.
Além disso, estão fora da
sala
de aula, distantes de um futuro melhor.
- Quando refletimos
a respeito da água
e lembramos que o Brasil, um dos países
que mais possui água doce e potável
do mundo tem passado por imensas dificuldades
ultimamente pelo gasto desmedido desse recurso
o que pode nos comprometer futuramente, pedimos
e rogamos as autoridades e a sociedade civil
que se organize e planeje alternativas que estipulem
o consumo racionalizado da água, não
apenas em períodos de estiagem ou de
crise mais prolongada, mas também ao
longo de todo o tempo, mesmo no de fartura.
Isso começa necessariamente na escola,
com nossas crianças, com os professores
ensinando-lhes que é necessário
fechar as torneiras ao escovar os dentes ou
que é fundamental que tomemos banhos
mais curtos...
- Quando visualizamos
a educação,
percebemos que o caminho para a escola tem se
tornado um pouco menos tortuoso no Brasil. Ainda
há crianças que não freqüentam
nossas escolas por problemas como falta de vagas,
pobreza que as obriga a trabalhar para ajudar
a sustentar a família ou evasão
provocada por desinteresse. Sabemos que os programas
sociais que associam educação
e alimentação são importantes
e fazem com que as famílias mais carentes
coloquem seus filhos nas escolas. Contabilizamos
expressivos ganhos com os programas de auxílio
econômico dados pelo governo, como o Bolsa-Escola,
para as famílias que mantém seus
filhos matriculados na rede pública de
ensino. Temos que mobilizar a sociedade e o
governo para que todo esse trabalho reverta
também, numa educação de
maior qualidade, com recursos básicos
(como livros, cadernos, lápis, canetas,...)
sendo de mais fácil acesso aos estudantes,
assim como uma educação adequada
aos novos tempos, com aulas que integrem conteúdos
e informática, matemática ou história
a internet...

A realidade e a ficção se confundem
em filmes como “Cidade de Deus”.
Marco da cinematografia nacional, o filme reacendeu
a polêmica quanto
a vida na periferia e nas favelas, a falta de
saneamento e de segurança,
o tráfico de drogas e a violência urbana que afligem nossas crianças
diariamente.
- Quando lembramos
do acesso a informação,
diga-se de passagem, percebemos que falta dar
a nossas crianças maiores possibilidades
de ler jornais e revistas, assistir filmes nos
cinemas ou em vídeo, se encantar com
a literatura ou aprender muito com os livros
técnicos, conhecer as artes plásticas
ou o circo... Programações que
envolvam nossos alunos com atividades culturais
como as citadas enriquecem muito a visão
de mundo desse público. Permitem que
escrevam melhor, leiam mais e saibam se comunicar
de forma mais adequada, questionem o mundo em
que vivem, proponham idéias para ajudar
a melhorar,...
- Quando vemos
imagens que remontam ao flagelo da fome, temos
que nos emocionar e nos envolver mais. Deixar
de lado a acomodação
e a insensibilidade, parar de reclamar do governo,
se engajar em projetos de cunho social e conclamar
nossos vizinhos e amigos a fazer o mesmo, ainda
que isso represente apenas a doação
de um pouco de arroz ou de uma lata de óleo.
Pode parecer pouco, e realmente é para
nós que vivemos dentro de uma realidade
mais confortável, mas para as pessoas
que recebem o auxílio, especialmente
para as crianças, esse auxílio
pode representar saúde, crescimento,
melhoria de rendimento escolar, perspectivas
futuras menos sombrias e desanimadoras...
- Quando desejamos
saúde, pensamos
em hospitais bem equipados, médicos preparados,
equipes de enfermeiros, seguro-saúde,
ambulâncias e remédios? Como parte
de um tratamento para solucionar problemas anteriormente
surgidos, acredito que sim. Precisamos de recursos
humanos e materiais adequados e isso nos faz
imensa falta no Brasil. São comuns as
filas e o descaso de autoridades e mesmo de
profissionais da saúde. Os remédios
ainda são caros (apesar dos genéricos,
que facilitaram um pouco as coisas) e o sistema
público de saúde está em
colapso, faltam verbas, equipamentos sofisticados
e até gaze e algodão em muitos
lugares. Além disso, teríamos
que trabalhar arduamente para fazer com que
as pessoas prevenissem as doenças com
medidas simples como mudança de hábitos
alimentares, exercícios regulares ou,
simplesmente, lavando as mãos antes das
refeições...
- Alimentar com
regularidade e variedade, dar escola de qualidade,
garantir um teto seguro, fornecer água
limpa, evitar o contato com lixo ou esgotos
correndo a céu aberto,
informar sobre o mundo em que vivemos. Parece
tão básico. É um pouco
daquilo que desejamos para nossos filhos ou
sobrinhos. A repercussão final de tudo
isso é, tão somente, saúde,
prosperidade, felicidade...
Obs.:
Quando pensamos nos dados revelados pela
pesquisa da Unicef e os confrontamos com
as informações apresentadas recentemente
que nos colocam como um dos países onde
há maior desigualdade na distribuição
de renda começamos a entender as raízes
de nossos problemas sociais.
João Luís
Almeida Machado
Mestre em Educação,
Arte e História
da Cultura (Universidade
Presbiteriana Mackenzie,
em São Paulo); Professor universitário
atuando
na Faculdade Senac em Campos do Jordão;
Professor de Ensino Médio e Fundamental
em Caçapava, SP; escreve semanalmente
na coluna
Cinema e Educação do
Portal Planeta Educação.
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