Viciados
na telinha
Pesquisas comprovam
que assistir muita televisão faz mal a
saúde

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Na semana passada o suplemento Folha
Equilíbrio, do dia 25, (http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u2827.shtml)
trouxe à tona a discussão acerca
dos males provocados pela quantidade excessiva
de horas dispendidas pelos brasileiros em frente
da televisão.
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Como autênticos seguidores do guru "Tio
Sam", os brasileiros gastam em média,
entre 4 e 5 horas diante da televisão
(dependendo da faixa etária e do sexo
do telespectador; as crianças assistem
muito mais televisão que os adultos; as
mulheres superam os homens).
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A TV também funciona como uma autêntica
babá eletrônica, substituindo brincadeiras
(o futebol, as bonecas, o esconde-esconde, a
amarelinha,...), leituras, conversas, jogos tradicionais
(jogos de tabuleiro, palavras cruzadas, pinturas,
colagens,...) e a necessária interação
entre as crianças.
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Além de preencher o tempo das crianças,
a telinha tem sido utilizada para suprir o vazio
deixado na vida dos idosos pelo abandono dos
familiares. Se a pessoa dispõe de uma
TV, ela "teoricamente" não está
sozinha. Pode assistir aos programas de auditório,
as novelas, os noticiários e filmes ou
ainda os jogos de futebol. Garantia de diversão!
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Não bastasse tudo isso, a televisão
"instrui", "educa" e cria
padrões. O padrão global de qualidade,
por exemplo, tem estabelecido para os jovens
uma série de informações
quanto a relacionamentos pessoais, modo de se
vestir, tecnologias a incorporar ao cotidiano,...
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É claro que tudo o que foi dito anteriormente
reflete aquilo que de fato, acontece em nosso
país. Todos os dias. Em muitas casas,
inclusive das pessoas que terão a oportunidade
de ler esse artigo. Mesmo no domicílio
daquele que escreve essas linhas. É lógico
que aquilo que escrevi apresenta de forma irônica
a televisão, criticando-a quanto à
forma como "instrui" ou "educa";
analisando como malefício para crianças
e idosos o excesso de exposição
a programação da televisão.

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E o que podemos fazer para reverter esse quadro?
De que forma temos que agir para evitar que nossas
crianças se tornem reféns da televisão?
Como estimular as famílias a valorizar
mais os idosos e retirá-los da frente
da TV? Que problemas são causados pelos
excessos na relação entre as pessoas
e a televisão?
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Segundo os estudos mais recentes, abordados na
reportagem do suplemento Folha Equilíbrio
do último dia 25/09 (disponível
no link http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u2827.shtml),
o ideal no que se refere ao montante de horas
dispendidas em frente a um televisor é
de uma hora diária.
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Como gastamos em média 4 horas, e admitindo
que teríamos que reduzir esse total em
3 horas, ou o equivalente a 75%, teríamos
que avaliar com seriedade aquilo que temos visto
e iniciar um processo de cortes na programação.
Supondo que desse total de 4 horas, gastemos
1 hora com novelas, minisséries ou seriados
americanos; 1 hora com noticiários; 1
hora e meia com filmes; e meia hora com programas
de auditório ou equivalentes. O que você
cortaria? O que preservaria?
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Talvez você ache que um corte de 75% seja
exagerado e resolva diminuir seu "sacrifício",
adotando uma medida menos radical, cortando apenas
50% e tendo a sua disposição, 2
horas para ver televisão por dia. Ficaria
com a novela? Preservaria os noticiários?
Não abriria mão dos programas de
auditório? Assistiria filmes? Ou procuraria
programas alternativos?
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E as duas horas disponíveis, obtidas com
a diminuição de horas em frente
a televisão. O que você faria com
elas? Vamos fazer uma lista de alternativas para
essas duas horas ganhas em cada um dos dias de
sua vida? Você poderia:
a)Fazer
ginástica (caminhar, correr, nadar, fazer
musculação,...) e entrar em forma.
b)
Ter tempo disponível para ler jornais,
revistas, livros (empoeirados em sua prateleira,
com histórias fantásticas e um
tremendo potencial de conhecimento sendo desperdiçados).

c)
Poder dar atenção aos filhos. Conversar
sobre a escola, as brincadeiras, os amigos, o
animal de estimação, a comida preferida,
programas passeios, montar um quebra-cabeças,...
d)
Conversar com a esposa (ou com o marido). Ser
mais companheiro(a), dividir mais suas experiências,
suas realizações, suas frustrações,...
e)
Reunir os amigos e/ou a família. Fazer
um churrasco, jogar futebol, bater um papo, colocar
as novidades em dia.
f)
Estudar. Fazer aquele curso de inglês ou
espanhol. Atualizar seus conhecimentos em informática.
Começar aquela pós-graduação
tão almejada,...
g)
"Fazer arte". Dedicar seu tempo livre
a pintura, a cerâmica, a escultura, a marcenaria,
a gastronomia,...
h)
Ouvir música. Rever os clássicos
(do Jazz, do Rock, da MPB, da Bossa Nova, da
música orquestrada,...).
i)
Ir ao Teatro. Rir com uma boa comédia.
Se emocionar com um drama tocante.
j)
Visitar exposições. Ver mostras
de artistas consagrados ou de novos expoentes
da arte.
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Daria, com certeza, para fazer uma lista ainda
maior de possibilidades de utilização
das duas horas ganhas ao se assistir menos televisão.
Convido o internauta a refletir e sugerir novas
possibilidades.
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O que ganharíamos? De acordo com os especialistas
a TV causa males como depressão, obesidade,
problemas de postura, insônia e dificuldades
de relacionamento com outras pessoas. Ao assistir
menos televisão e disponibilizar o tempo
para atividades como as que foram sugeridas,
você passará menos tempo sentado
em posição "excessivamente"
confortável, arruinando sua coluna, engordando,
perdendo preciosas horas de seu sono, se deprimindo
e deixando de interagir com amigos e parentes.
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Além disso, os estudiosos dos problemas
causados pelo excesso de horas diante da televisão
dizem que há danos nas funções
cerebrais (causa dificuldade de concentração
e afeta a leitura), perda de criatividade e perda
do interesse sexual pelo seu parceiro(a). O que
mais é preciso dizer?

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Para as crianças o contato excessivo com
a "babá eletrônica" provoca
problemas de aprendizagem (os modelos imputados
pela televisão podem estimular agressividade,
precocidade sexual, erros de linguagem,...),
estimula o consumismo, promove a passividade
e pode, até mesmo, causar ataques epiléticos.
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Que tal deixar a televisão ligada por
menos horas e fazer uma experiência? Tente
assistir no máximo a duas horas de programação
e se permita, no tempo disponível, desenvolver
outras atividades. Isso pode significar uma verdadeira
revolução em sua vida...
João
Luís Almeida Machado
Mestre em Educação,
Arte e História da Cultura (Universidade
Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo);
Professor universitário atuando na Faculdade
Senac em Campos do Jordão; Professor de
Ensino Médio e Fundamental em Caçapava,
SP; escreve semanalmente na coluna Cinema e Educação
do Portal Planeta Educação
Envie e-mails de comentários, sugestões
e críticas para:
profjoaoluis@planetaeducacao.com.br
Obs.
Há, felizmente, vida inteligente na televisão.
Bons programas são veiculados (apesar
de cada vez mais raros), na televisão
aberta. Um verdadeiro celeiro de boas idéias
é a TV Cultura de São Paulo (Pena
que as verbas destinadas a Cultura tenham encolhido
tanto). Os filmes veiculados pelas redes abertas
podem ser também boas alternativas, é
importante, entretanto, que se faça uma
checagem quanto a programação.
Os canais de televisão paga, especialmente
aqueles dedicados a cultura e a educação,
como o Futura, o Discovery Channel, o History
Channel ou o National Geographic Channel, são
sempre alternativas interessantes e inteligentes.
O importante, em todos os casos, é dosar
a quantidade de horas e selecionar a programação
de acordo com suas necessidades e interesses.