Castelos
Riqueza, Autoridade e Luxo
O Castelo de Dromoland, na Grã-Bretanha, construído
no século XVI mantém a
estrutura tradicional dos castelos medievais, apesar de
ter sido construído na
Idade Moderna. Atualmente é utilizado como hotel
e Spa.
Ao longo do período que se estende do século IX ao XVI foram
construídos na Europa perto de 15 mil castelos. De diferentes formatos,
tamanhos, materiais ou importância; representativos de reis, rainhas,
principes ou nobres das mais variadas estirpes e níveis (condes, duques,
barões,...); em países da Europa Ocidental, Central e Oriental.
Dizia-se que os castelos representavam a própria Idade Média
e seu desenvolvimento.
Começaram a ser feitos com madeira e, posteriormente, devido à fragilidade
desse material, passível de destruição por catapultas
ou incêndios, o que facilitava o ataque inimigo e permitia uma rápida
rendição dos ocupantes, passaram a ser feitos de pedras. É possível
inclusive traçar uma comparação entre os castelos e os
acontecimentos da Idade Média. Assim como os castelos, o período
apresentou uma evolução técnica e material a partir da
transição dos séculos IX e X para os posteriores
que fez com que fossem retomadas rotas comerciais, reestruturadas as
vilas e cidades ou ainda, que surgissem os modernos estados europeus.
Freqüentemente situados em locais estratégicos, os castelos eram
fortalezas que serviam como quartel-general para cavaleiros antes de seus
ataques aos inimigos. Além disso, representavam para os moradores das
vilas ou feudos um centro de decisões políticas, cobrança
de impostos e justiça. Para seus senhores era uma forma de apresentar
aos demais nobres, ao clero e aos visitantes de regiões distantes toda
a sua riqueza e influência. Além de tudo, eram as moradias dos
nobres, locais onde essas poderosas famílias se alimentavam, se divertiam,
recebiam seus convidados, descansavam,...

Os aposentos do castelo de Fontainebleau na
França, destinados a imperatriz
Josefina realçam o luxo e a riqueza numa época em que os nobres
já não mais
Comandavam o país, em pleno século XIX, durante o período
Napoleônico.
A Construção
dos Castelos
Os primeiros castelos, como já mencionamos, eram feitos de madeira.
Esse material era mais fácil de se obter, implicava em custos mais
baixos e era construído em um período de tempo mais curto. Entretanto,
castelos de madeira eram vulneráveis demais.
Ataques com catapultas, flechas pegando
fogo ou mesmo homens batendo na madeira com enormes toras
faziam com que os castelos de madeira fossem facilmente
destruídos ou que fendas em suas muralhas fossem abertas. As invasões
e a destruição da construção fizeram com que esse
modelo de castelo fosse abandonado e substituído por edificações
feitas com rochas.
Os castelos feitos com pedras demoravam
muito mais tempo para serem construídos,
em média de 10 a 20 anos. Além disso, empregavam um contingente
de trabalhadores grandioso, que variava entre 1000 e 3000 empregados. Entre
esses “operários” da construção civil da época
já prevaleciam as especialidades, por isso, era
comum encontrar cavouqueiros, pedreiros, marceneiros,
carpinteiros, ferreiros,...
Os materiais básicos eram normalmente retirados da região onde
se empreendia a construção, porém, eventualmente alguns
itens eram trazidos de regiões distantes a um custo muito elevado.
Não existiam centros comerciais, apenas artesãos especializados;
quando esses trabalhadores viviam muito distantes do local onde se construía
um castelo, os compradores tinham que se deslocar por estradas ruins, esburacadas
e corriam o risco de assaltos. Além disso, tinham que pagar pedágio
para passar em terras que pertencessem a outros senhores
feudais.
Os castelos geralmente eram construídos próximos a rios ou lagos,
em regiões um pouco mais altas que o relevo do território ao
redor. O objetivo era criar, nas torres, pontos de observação
que permitissem antecipar o movimento de inimigos ou a aproximação
de estranhos.
Os muros ao redor eram grossos para evitar
que as pedras lançadas pelas
catapultas pudessem perfurá-lo. Outra
característica dos muros
era a altura, sempre superior a 5 metros. Além
das muralhas era comum que se colocassem paliçadas
(cercas de madeira) e fossos. Os fossos podiam
ser utilizados como criadouro de peixes para
abastecer a mesa do senhor e de sua família.

Uma das principais preocupações
dos senhores era demonstrar sua riqueza,
Por isso os castelos eram grandes e imponentes,
as recepções
a convidados
Importantes (membros do clero ou nobres) eram
fartas em alimentos e bebidas.
Os Castelos por dentro
Os castelos tinham no seu interior uma
série de instalações,
todas elas com caráter funcional, voltadas para atender as necessidades
de quem vivia dentro das muralhas, mais especificamente os nobres proprietários.
Entre as instalações podemos destacar:- estábulos, forjarias,
poços, depósitos para mantimentos, alojamentos para os serviçais,...
As torres eram locais onde se estabeleciam
as guardas, nos andares mais altos, próximos aos pontos de observação. Em outras torres ficavam
os senhores feudais, sua esposa e demais familiares. Nos aposentos destinados
aos proprietários e demais familiares havia um certo requinte, observável
na qualidade dos móveis, em cortinas, tapeçarias, baús,
dosséis e outros ornamentos. Na sala de guarda a marca maior era a
objetividade, por isso, predominavam mesas e cadeiras simples, poucos objetos
de decoração e o símbolo (brasão) da família
proprietária daquele castelo apresentado numa bandeira (que podia ser
uma tapeçaria ou um artefato de
madeira).
Ao redor dos muros existia uma
passarela que permitia aos soldados que
caminhassem ao longo de toda a extensão construída para que se pudesse olhar
tanto para dentro quanto para fora do castelo. Algumas dessas construções
eram tão amplas no espaço interno que abrigavam a vila ou aldeia
de camponeses atrás de suas grossas paredes. Mesmo quando isso não
acontecia, era para lá que os servos
tinham que correr para se refugiar em
caso de ataque e auxiliar no processo
de defesa.
Além dos cômodos mencionados,
existia uma cozinha ampla, equipada com muitos acessórios
como panelas, facas, caldeirões, fornos,
grelhas e depósitos para alimentos.
Salas de recepção
para viajantes e destinadas à organização
de grandes banquetes também eram
comuns. Receber bem era uma das responsabilidades
do bom e abastado senhor feudal. Existiam
sempre quartos disponíveis
para visitantes, destacando-se que essas
regalias eram destinadas apenas a pessoas
notáveis dentro da sociedade da época,
como membros do clero ou da própria
nobreza.

As torres do castelo de St. Louis
que simbolizaram
Durante muito tempo a idéia de segurança
e inviolabilidade
Perderam o valor a partir do surgimento
da pólvora e dos canhões.
O Fim da Era dos Castelos
Com o advento da pólvora e o aparecimento dos canhões, a destruição
dos muros tornou-se possível. É lógico que poderiam se
construir muralhas cada vez mais grossas, mas isso era inviável do
ponto de vista econômico, além do mais, não representava
garantia alguma de que a construção não viesse a ser
destruída.
Outro inconveniente era o alto preço das construções.
A mão de obra dos servos era fundamental para que a construção
viesse a ser erguida, entre eles haviam especialistas, que orientavam e organizavam
o trabalho em suas várias etapas. A partir do século XII e XIII,
com o ressurgimento do comércio
e das cidades, os servos passaram a
comercializar seus produtos e pagar
as taxas feudais em dinheiro; outros
camponeses abandonaram o trabalho e
a vida nos feudos e mudaram-se para
as cidades e vilas.
O preço do trabalho passou a ficar cada vez mais alto. Sustentar obras
que chegavam a durar 10 ou 20 anos e tinham mais de mil trabalhadores se tornou
impossível mesmo para os mais
abastados senhores...
João Luís
Almeida Machado
Mestre em Educação, Arte e História
da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie, em
São Paulo); Professor universitário
atuando na Faculdade Senac em Campos
do Jordão; Professor de Ensino
Médio e Fundamental em Caçapava,
SP; escreve semanalmente na coluna
Cinema e Educação
do Portal Planeta Educação
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