Muro
de Berlim
O Muro que dividiu o mundo

Reunidos
em Julho de 1945, Josef Stálin da União
Soviética, Harry Truman dos Estados Unidos
e Winston Churchill da Inglaterra, estavam prestes
a dar início a uma nova guerra. E novamente
tudo começava em solo alemão, para
ser mais preciso, na cidade de Potsdam, onde
não muito tempo atrás lideranças
alemãs se reuniam para definir os rumos
da guerra que travavam contra os aliados.
Não
seria uma guerra como a anterior, onde a primazia
mundial cabia a alemães e ingleses. Seria
diferente até mesmo em termos de sua orientação
básica: se nas guerras anteriores o objetivo
dos países envolvidos era a conquista
do "Espaço Vital" (áreas
para novos investimentos, mercados consumidores
amplos para seus produtos, matéria-prima
abundante e barata e mão de obra de baixo
custo); nessa nova guerra as motivações
seriam, primordialmente, de base política
e ideológica.
Era
o confronto entre o Capitalismo e o Socialismo.
Materializados nos Estados Unidos e na União
Soviética, respectivamente.
O
passo inicial?
Além
do surgimento da "Cortina de Ferro"
(termo cunhado pelo primeiro ministro inglês
Winston Churchill, ao se referir ao surgimento
de uma zona de influência soviética
na Europa Central e Oriental, isolando esses
países do contato com o Ocidente e, conseqüentemente,
da esfera capitalista liderada pelos EUA), a
divisão da Alemanha em zonas controladas
pelos vencedores da guerra (originalmente a Alemanha
foi dividida entre ingleses, franceses, americanos
e russos; as áreas controladas pela França
e pela Inglaterra foram, entretanto repassadas
para o controle norte americano) contribuíram
muito para a noção de um mundo
dividido, partilhado entre americanos e russos,
mesmo que a despeito do desejo da maioria dos
países e suas populações.

A
divisão da Alemanha, ensejada ao final
da guerra levou o país a uma situação
totalmente inusitada:- famílias haviam
sido separadas na disputa entre as ideologias.
Alguns membros dessas famílias viviam
na Alemanha Ocidental, dentro do modelo capitalista.
Outros se mantinham na Alemanha Oriental, seguindo
as premissas do socialismo.
As
perspectivas fora da Alemanha não eram
muitas boas no que tange a disputa entre URSS
e EUA. Na intensa competição que
se estabeleceu entre os dois países, surgiram
alianças militares (o Pacto de Varsóvia
liderado pelos russos e a OTAN, Organização
do Tratado do Atlântico Norte, capitaneado
pelos Estados Unidos), tratados da ajuda econômica
financiados pelas superpotências (o Plano
Marshall dos norte-americanos e o Comecon, Mercado
Comum dos países do leste, dirigido pelos
soviéticos), a disputa técnica
e científica entre os dois países
(cujo maior destaque foi a Corrida Espacial)
e mesmo, a competição travada no
campo esportivo (quando cada medalha conquistada
em Olimpíadas ou Campeonatos Mundiais
podia valer prêmios, condecorações
ou contratos milionários).
Para
complicar ainda mais o cenário internacional,
em 1949 e 1959 haviam acontecido revoluções
socialistas na China e em Cuba. Iniciava-se no
Sudeste Asiático, a Guerra da Coréia,
entre aliados dos soviéticos e dos norte-americanos
(que receberam grande auxílio militar
e financeiro das superpotências).
Quando
se iniciou a construção do Muro
de Berlim, em 1959, já se sabia que seria
um símbolo poderoso da divisão
do mundo nas esferas de influência capitalista
e socialista. A construção era
vista como uma necessidade do lado oriental,
como uma barreira real e intransponível
a ser erigida para evitar as deserções
e debandadas em direção ao lado
ocidental. Mais que um símbolo, o muro
deveria representar a solidez e a firmeza do
mundo socialista (mesmo que demonstrasse a incapacidade
do sistema no tocante ao abastecimento e garantia
de uma boa qualidade de vida a seus cidadãos
ou ainda, que expusesse a fragilidade política
da Alemanha Oriental, abalada como os demais
países do Leste pela falta de transparência
e de democracia).

E
como era sólido.
Como
podemos perceber no desenho acima, o complexo
constituía-se do muro, com seus 162 km
de extensão (altura média de 4
metros e espessura aproximada de 1,2 metros),
armadilhas para tanques, pista operacional, obstáculos
para tanques, cerca de arame (com 148 km de extensão)
e uma cerca de malha de aço com 2 metros
de altura. A construção incluía
uma parte do muro enterrada, com quase 2 metros
para evitar fugas através de buracos cavados
por baixo da muralha externa.
Tão
sólido que se manteve intacto durante
um período de quase 30 anos. Foi inaugurado
em 1961 e derrubado em 1989. Sua queda foi tão
significativa que, na esteira de sua destruição,
caíram também a URSS e a divisão
das Alemanhas, que logo depois se unificariam.
Chegava ao fim a Guerra Fria...
João Luís Almeida Machado
Mestre em Educação,
Arte e História da Cultura (Universidade
Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo);
Professor universitário atuando na Faculdade
Senac em Campos do Jordão; Professor de
Ensino Médio e Fundamental em Caçapava,
SP; escreve semanalmente na coluna Cinema e Educação
do Portal Planeta Educação
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Links
-
http://www.tvcultura.com.br/aloescola/historia/cenasdoseculo/internacionais/
murodeberlim.htm
- http://www.estado.estadao.com.br/edicao/pano/99/11/06/int802.html