A
escola ideal é aquela que mais se aproxima de seus valores, expectativas
e exigências. Você pode escolher entre uma infinidade de opções.
Algumas escolas são mais exigentes em relação à disciplina, por
exemplo. Outras dão mais liberdade aos alunos. Há aquelas que
enfatizam o conteúdo. Muitas privilegiam as ciências e a tecnologia.
Algumas valorizam a arte. E se você consegue definir exatamente
o que procura, se você sabe o que quer para seu filho, então fica
tudo mais fácil. Não existe uma única escola que seja capaz de
atender aos anseios de todos os pais e alunos. Cada escola é um
mundo e cada criança uma individualidade. A sabedoria dos pais,
nesse caso, consiste em conseguir a união que mais se aproxima
do ideal. Isso é possível colhendo informações sobre a escola
onde você pretende matricular seu filho. Você deve visitá-la para
conhecer as instalações e seu método pedagógico.
Na hora de escolher uma escola, leve em conta certos fatores:
Proximidade
Uma
escola próxima de casa facilitará muito sua vida. Você vai gastar
menos tempo com locomoção e evitará o desgaste de enfrentar o
trânsito. Se há uma escola melhor, situada um pouco mais distante,
procure avaliar se a qualidade de ensino oferecida por ela compensará
seus gastos adicionais.
Número
de alunos por sala
Turmas
de poucos alunos facilitam o trabalho individualizado e criam
ambientes mais aconchegantes, principalmente para as crianças
menores. A partir da 5a série o estudante geralmente prefere uma
turma mais numerosa. Consulte seu filho.
Disciplina
rígida
Há
escolas com disciplina rígida, que definem claramente os limites
do aluno e impõem severas regras de conduta. Você pode escolher
uma escola assim se quiser que seu filho se submeta a uma autoridade,
seja para reprimir seu comportamento rebelde, ou para que ele
viva de maneira mais organizada. No entanto, não tente transferir
para a escola a autoridade que deve ser sua.
Disciplina
consciente
Algumas
escolas procuram desenvolver no aluno a responsabilidade por suas
atitudes e comportamento. Dão aulas de ética e ensinam o respeito
ao semelhante e ao patrimônio. Estabelecem normas de disciplina
a partir de acordos com os alunos. As regras de convivência assim
definidas estimulam a consciência da cidadania.
Escola
grande
Escolas
com muitos alunos obviamente arrecadam mais e têm condições de
oferecer inúmeras atividades extracurriculares, como teatro, música,
esportes, informática. Em geral, as escolas particulares complementam
o trabalho de sala de aula com material impresso, seja produzindo
uma simples apostila ou até mesmo editando livros. Seus professores
costumam passar por treinamentos constantes. Por serem grandes,
entretanto, essas escolas perdem a capacidade de oferecer atenção
individualizada.
Escola pequena
O
atendimento individualizado é a grande vantagem das escolas menores.
Elas se apresentam acolhedoras para as crianças, o que dá mais
segurança emocional. Por terem número reduzido de alunos, arrecadam
menos. E para que possam fazer investimentos em infra-estrutura
e apoio pedagógico, muitas vezes necessitam manter as mensalidades
num patamar mais alto. Sua qualidade de ensino pode ter um custo
elevado. Instalações A boa escola deve oferecer biblioteca, laboratórios,
quadras, amplo espaço para lazer e esportes. Quanto aos computadores,
devem estar na sala de aula como apoio a projetos pedagógicos.
Língua
estrangeira
Para
ser eficiente, o ensino de uma língua estrangeira deve começar
bem cedo, aos 2 ou 3 anos de idade, com brincadeiras e canções.
Quanto mais jovem é o aluno, mais facilidade encontrará para aprender.
Depois dos 10 anos, as dificuldade começam a aumentar. Alguns
especialistas argumentam que a alfabetização pode ser prejudicada
com o ensino simultâneo de uma língua estrangeira. Importante
é que a criança não fique sobrecarregada.
Corpo
docente
Professores
com mais idade representam melhor formação e experiência. Por
outro lado, podem oferecer resistência a inovações. Professores
jovens geralmente têm mais energia para trabalhar com crianças
e maior flexibilidade para aceitar novas orientações pedagógicas.
No entanto, podem necessitar de acompanhamento constante.
Escola
pública e particular
Discute-se
muito a qualidade do ensino da maior parte das escolas públicas.
Deve-se levar em consideração que a escola pública está recebendo
atenção especial do governo e da sociedade. Muitas estão sendo
melhor aparelhadas. E os professores passando por reciclagem.
Já a escola particular carrega a fama de ser cara. Quanto mais
equipamentos e profissionais especializados tiver, maior a despesa.
Conseqüentemente, a mensalidade será mais alta. Algumas oferecem
bolsas ou descontos especiais, dependendo do caso.
Mudança
de escola
É
recomendável que a criança não mude de escola até chegar à 4a
série. A alfabetização começa na pré-escola e continua nas primeiras
séries do 1o grau. Nessa fase não é interessante mudar. Ao passar
para a 5a, a mudança é mais tranqüila, mas deve ser duradoura.
Por isso é importante escolher bem a escola de seu filho.
Escola
tradicional ou escola moderna
Escolas
tradicionais costumam ter modelo pedagógico mais consolidado,
além de trabalhar com professores experientes. Considere, porém,
que podem levar mais tempo para incorporar inovações pedagógicas.
Escolas modernas têm um entusiasmo natural. Seus profissionais
trabalham com motivação e estão mais abertos ao debate pedagógico.
Os alunos sempre ganham com isso. Avalie a possibilidade de exceções
e de mudanças nesse panorama.
Conheça
alguns métodos pedagógicos:
Construtivismo
O
construtivismo surgiu a partir das idéias do filósofo Jean Piaget
(1896-1980). Chegou ao Brasil na década de 70, quando foram criadas
algumas escolas conhecidas como experimentais ou alternativas.
Elas procuravam dar prioridade à maneira pela qual o aluno compreende
o mundo. Todas valorizavam o modo como o estudante descobre suas
habilidades. Assim, o desenvolvimento intelectual passou a ser
tratado como a capacidade que a criança tem de se adaptar ao meio.
E as aulas se desenvolviam guiadas pela curiosidade dos alunos.
A experiência acabou se transformando em alvo de críticas, pois
logo ficou evidente que era difícil estabelecer metas, que ficavam
condicionadas ao interesse do aluno por algum assunto. A aplicação
do construtivismo, no entanto, possibilitou a formação de crianças
capazes de ir além do mero conhecimento assimilado. Elas se tornaram
mais críticas, opinativas e investigativas. Esse resultado fez
com que muitas escolas passassem a adotar o construtivismo associado
a outras técnicas pedagógicas.
Hoje, a principal associação está vinculada ao conteúdo, que nada
mais é do que a informação transmitida. Verifica-se, portanto,
o aumento na oferta de atividades extraclasse, de cursos de línguas
e de informática, por exemplo.
Essa tendência agrada a alguns pais, que desejam preparar os filhos
para a crescente competitividade no mercado de trabalho. Outros
acabam ficando preocupados com uma possível sobrecarga à qual
os filhos serão submetidos.
Construtivismo
pós-piagetiano
Aluna
de Jean Piaget, a argentina Emilia Ferreiro aplicou as idéias
de seu professor também no campo da escrita e da leitura. Seus
estudos a levaram a concluir que a criança é capaz de se alfabetizar
sozinha, desde que imersa em ambiente propício. Antes mesmo de
ir à escola, a maioria das crianças descobre as regras da língua
escrita: sabe que a leitura se dá da esquerda para a direita e
entende que as letras reproduzem os sons da fala.
Emilia Ferreiro, em estudos realizados com Ana Teberosky, percebeu
que todas as crianças, ao aprender a ler e escrever, passam pelas
mesmas fases.
Essas fases determinam o tipo de erro que cometem. Tais descobertas
levaram a uma revolução nas formas mais tradicionais de alfabetização,
ou seja, aquelas que utilizavam cartilhas, nas quais apareciam
apenas fragmentos da língua escrita. Atualmente, o material didático
e também a organização das aulas estão completamente mudados na
maioria das escolas brasileiras. Isso, graças à teoria do construtivismo
e às idéias dos teóricos pós-piagetianos.
Maria
Montessori
Maria
Montessori (1870-1952) elaborou uma teoria científica do desenvolvimento
infantil e dirigiu seu trabalho rumo a uma proposta pedagógica.
De acordo com sua visão, a criança desenvolve um senso de responsabilidade
pelo próprio aprendizado e o ensino deve ser ativo. Sua pedagogia
enfatiza a manipulação de objetos para se obter a concentração
individual. Assim, a atenção do aluno é desviada do professor
para as tarefas a serem cumpridas. O professor é apenas um guia
que remove obstáculos à aprendizagem e isola as dificuldades da
criança. As inovações introduzidas pelo método montessoriano estão
presentes até hoje nas escolas: a disposição circular dos alunos,
os jogos pedagógicos sempre disponíveis e os cubos lógicos de
madeira para o ensino de matemática.
Pragmatismo
O
pragmatismo, ou instrumentalismo, foi elaborado no início do século
pelo educador norte-americano John Dewey (1859-1952). É um modelo
de educação que se baseia na idéia de que a inteligência é um
instrumento.
Assim, privilegia a resolução de problemas e a ciência aplicada.
Opõe-se ao ensino europeu clássico, mais abstrato e dirigido às
áreas de humanidades e filosofia. Na década de 20, influenciou
o movimento da Escola Nova, que, no Brasil, tentou a reforma do
ensino introduzindo métodos ativos de participação dos alunos
na sala de aula.
Ensino
tradicional
O
que se entende por ensino tradicional é o resultado de inúmeros
métodos pedagógicos. Talvez o mais evidente deles seja o conteudismo,
centrado na figura do professor encarregado de transmitir cultura.
Seu sistema de avaliação procura medir a quantidade de informação
absorvida pelo aluno.
Esse modelo de ensino foi difundido pelas escolas públicas francesas
a partir do Iluminismo, no século 18. Tinha por objetivo universalizar
o acesso do cidadão ao conhecimento. Foi considerada acrítica
e ultrapassada durante as décadas de 60 e 70, mas tem conquistado
prestígio atualmente, mesmo nas escolas que já foram construtivistas.
Seus defensores enfatizam que não há como formar um aluno crítico
e questionador sem uma sólida base de informação.
Pedagogia
Waldorf (Antroposofia)
Este
método de ensino baseia-se nos ensinamentos do filósofo alemão
Rudolf Steiner (1861-1925). Trabalha em conjunto três aspectos
do desenvolvimento da criança: o físico, o individual e o social.
Os alunos são agrupados por faixas etárias, pois Steiner ensinava
que cada idade tem necessidades específicas a serem atendidas.
O aluno waldorfiano permanece na mesma turma dos 7 aos 14 anos.
Como o ritmo biológico não pode ser alterado, não há repetência.
O método dá a mesma importância às formações ética, estética e
acadêmica.
Chama-se Waldorf, pois os primeiros alunos de Rudolf Steiner foram
funcionários da fábrica Waldorf Astoria, na Alemanha.
A pioneira na aplicação da pedagogia Waldorf no Brasil é a escola
Waldorf Rudolf Steiner, de tradição alemã, fundada em 1956. Outras
três escolas, em São Paulo, adotam a mesma metodologia.
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