Raquel Fiori Rosseto

Nutricionista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes
Membro da Genutri do Vale do Paraíba
Orientadora nutricional de academias esportivas
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A alimentação infantil na fase pré-escolar

A partir dos três anos de idade a criança entra em um período de vida, que se estende até a adolescência, no qual seu ritmo de crescimento é diminuído. Durante essa fase, suas necessidades de nutrientes são reduzidas e ela passa a ingerir menos alimentos. A mãe inexperiente, acostumada ao apetite voraz que caracteriza os primeiros anos de vida do filho, pode pensar que ele está doente.

Freqüentemente o fato gera uma certa ansiedade, o que leva a mãe a tomar algumas atitudes. Ela pode induzir a criança a aumentar a ingestão de alimentos, por meio de agrados e promessas ou até mesmo por meio de ameaças. Em qualquer dos casos, as conseqüências podem ser desastrosas. É muito comum haver perda de apetite, quando o filho reage negativamente a essa insistência. Outra possibilidade é a criança querer agradar a mãe e aceitar comer além do que necessita, o que abre caminho para a obesidade.

No início do terceiro ano de vida, a criança já precisa estar integrada ao padrão alimentar da família, que deve se guiar principalmente pela qualidade. É importante que os pais não se esqueçam de que o leite é indispensável na alimentação infantil, por seu conteúdo protéico e por ser rico em cálcio. Pode ser substituído por queijos, iogurtes ou coalhada.

Há outros alimentos que também não devem ser esquecidos, como as hortaliças, que suprem as necessidades de minerais e vitaminas do organismo. É fundamental que as crianças aprendam a conviver com elas desde cedo, sejam cruas, cozidas, refogadas, em forma de purês, sopas, como a criança achar melhor. Frutas também não podem faltar no cardápio infantil. Devem ser oferecidas como sobremesa ou lanche entre as refeições, pelo menos uma vez ao dia.

Para evitar monotonia alimentar, seja nos casos de inapetência, ou quando a criança recusa alimentos, a habilidade culinária se constitui num recurso importante. Assim, a carne, por exemplo, pode ser oferecida de várias formas, como bife ou moída, como bolinho ou quibe. Já o leite pode ser misturado ao chocolate, ao café e aos doces.

É interessante observar que, a partir dos três anos de idade, a criança começa a se interessar mais pelo meio que a cerca. Por isso, passa a prestar atenção na cor, no cheiro, no aspecto, na textura dos alimentos. Nessa fase, tem necessidade de explorar, com as mãos ou com utensílios, tudo que está no seu prato. Ela não deve ser reprimida nessa iniciativa, embora talvez coma menos do que o esperado e derrame boa parte da refeição.

Por diversas razões, práticas ou fisiológicas, é necessário estabelecer horários regulares para as refeições. Mas eles não devem ser muito rígidos. É melhor oferecer a refeição meia hora mais cedo, quando a criança está com fome, do que permitir que coma algo capaz de prejudicar sua alimentação principal. Da mesma forma, deve-se permitir que a refeição seja feita um pouco mais tarde, se a criança estiver sem apetite.

Alimentos industrializados devem ser evitados. A comida feita em casa, mesmo sendo mais simples, é muito mais saudável. Os sucos naturais de frutas são preferíveis aos de sabor artificial e aos refrigerantes, que devem ser consumidos com moderação. As bebidas em geral, principalmente as gaseificadas, distendem o estômago e transmitem uma sensação de saciedade. Se forem consumidas durante as refeições, fatalmente prejudicarão a ingestão de alimentos sólidos.

Guloseimas só devem ser oferecidas às crianças em situações especiais, de preferência após uma refeição completa. Para aquelas que têm necessidade de comer nos intervalos das principais refeições, deve-se optar por alimentos de fácil digestão, como frutas ou sucos.

Raquel Fiori Rosseto

 




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