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As
diferenças e semelhanças entre os homens
O
homem nunca soube conviver com as diferenças. Sua primeira
reação é rejeitar aquilo que não reconhece
em si mesmo. A História está cheia de exemplos dessa
intolerância.
Por
causa do preconceito e do racismo, bilhões de pessoas já
sofreram e morreram. Os colonizadores europeus, por exemplo, se
apropriavam da terra e dos recursos de outros países da África,
Ásia, América e Austrália. Dominavam os nativos
e se impunham pela força. Aprisionaram milhões de
africanos e os venderam como mão-de-obra barata, uma escravidão
que só foi abolida no século XIX. Mesmo recentemente,
os negros sul-africanos eram dominados, sob o apartheid, por brancos
descendentes dos colonizadores europeus. E durante as décadas
de 30 e 40, os nazistas alemães perseguiram e assassinaram
seis milhões de judeus nos campos de concentração.
Depois da divisão da Iugoslávia, milhares foram mortos
em conflitos raciais e há milhões de refugiados. Em
Ruanda, na África, um milhão de pessoas morreram na
luta racial pelo poder. Na Bósnia e em outros países,
a "limpeza étnica" é responsável
pela morte de milhares de pessoas. Hoje, o racismo é mais
discutido do que no passado. Mas ainda é um problema grave,
que afeta toda a sociedade.
A
História nos ajuda a aprender com os erros do passado. Infelizmente,
isso nem sempre acontece. Todos nós vivemos hoje em sociedades
mistas, compostas de diferentes raças, culturas e crenças.
Já chegamos a seis bilhões de pessoas no mundo, em
mais de 200 países. Essa diversidade enriquece nossas vidas
e muitos acreditam que ela existe para ser compartilhada. Alguns,
no entanto, a utilizam como desculpa para tratar determinadas pessoas
como se fossem inferiores.
Os
racistas não vêem as pessoas como indivíduos,
mas como membros de um grupo contra o qual têm preconceito.
Eles generalizam essas pessoas com o mesmo estereótipo, geralmente
muito negativo. É como dizer que todos os meninos jogam futebol
ou que todas as meninas brincam com bonecas.
Os
diferentes preconceitos
O
tipo mais óbvio de preconceito ocorre quando alguém
é discriminado por causa da cor da pele. Mas esse não
é o único. Existe discriminação de sexo,
religião, cultura, idade, classe social, deficiência
física. Geralmente o racismo se baseia na ignorância
e no medo de tudo o que é desconhecido. Em vez de querer
conhecer outras culturas, os racistas preferem odiar ou desprezar
os que são diferentes. Eles enfatizam as diferenças
e não as semelhanças.
O
que podemos fazer para enfrentar o racismo?
Não
há uma solução fácil para o problema.
O primeiro passo é reconhecer que ele existe, muitas vezes
evidente, outras vezes velado, disfarçado de brincadeiras
e piadas. Em seguida, combatê-lo, pois nenhum tipo de preconceito
é aceitável, mesmo que pareça inofensivo.
É
a impunidade que dá coragem ao racista. Portanto, quem sofre
algum tipo de discriminação não deve ficar
quieto. Ignorar a situação faz com que ela se repita.
O silêncio não é a melhor resposta e sim a denúncia,
pois existem leis severas que devem ser aplicadas aos infratores.
Trabalhar
em grupo é sempre mais eficiente. Nas escolas, jovens e adultos
podem se unir para discutir as semelhanças e diferenças
entre os homens. Os debates vão revelar que todos temos muita
coisa em comum. Também os pais devem compreender que suas
palavras e ações influenciam os filhos. Geralmente,
as crianças imitam o comportamento dos adultos. Ninguém
nasce racista. As pessoas aprendem a ter esse comportamento. Se
a família e os amigos são preconceituosos, a criança
cresce acreditando que esse é um procedimento normal e aceitável.
O melhor é começar em casa. Com a nossa ajuda, as
crianças poderão formar a nova humanidade capaz de
reger com sabedoria os destinos da Terra.
Sílvio
Ferreira Leite
Educador

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