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Se
é verdade que a oferta de cursos é bastante vasta, é também
realidade que as chances de se cair nas mãos de profissionais
não qualificados é proporcionalmente maior. Infelizmente as
seqüelas deixadas neste caso não são menos prejudiciais do
que aquelas provenientes de encontros com maus profissionais
de outras áreas, como da saúde, por exemplo.
Um
aluno que freqüenta um curso de línguas ao qual não se adapta
ou que não oferece as condições mínimas necessárias para seu
desenvolvimento levará para o resto de sua vida os traumas
deixados pela experiência negativa.
Como
exemplo podemos citar o caso de adultos que dizem "não adianta,
não nasci para aprender inglês" ou "isso não é para mim, já
tentei antes e não levo jeito para aprender uma segunda língua".
Paradoxalmente,
essas pessoas são, na maioria dos casos, pessoas bem sucedidas
profissionalmente e que obtiveram sucesso em seus estudos
e na vida pessoal. Por que motivo então não seriam elas capazes
de aprender uma língua estrangeira? Simplesmente porque uma
experiência negativa os levou a crer que o problema estava
neles e não no profissional que os acompanhou.
Ainda pior é o fato de que muitas vezes o profissional a que
me refiro, no caso, o professor de língua estrangeira, não
erra por negligência, mas sim por inocência, o que, infelizmente,
não alivia as conseqüências deixadas na vida de seus ex-alunos.
Na
tentativa de evitar as tais seqüelas e dar uma luz que auxilie
na escolha de um curso de línguas para você, seu filho ou
para outras pessoas de seu relacionamento, seguem algumas
dicas:
· Escolher determinada empresa/curso de línguas pura e simplesmente
porque você conhece alguém que fala bem uma língua estrangeira
e freqüentou este curso pode não trazer os resultados esperados.
Cada curso trabalha com metodologias e materiais diferenciados,
aos quais uma pessoa pode ou não se adaptar, dependendo de
diversos fatores, como personalidade, idade etc. O pior de
tudo, neste caso, é a auto confirmação de que "eu não levo
jeito para aprender línguas", pois se o outro aprendeu...
· A indicação é sem dúvida uma ótima maneira de começar a
pesquisa. Só não se deve parar por aí. Essa indicação deve
ser utilizada como um guia de por onde começar a pesquisa.
·
Durante esta pesquisa, o melhor a fazer é perguntar, perguntar,
perguntar.
·
Além das perguntas, é importante lembrar que você não deve
se conformar com respostas que envolvam um discurso rebuscado
e complexo. Muitas vezes o cliente se constrange em continuar
a questionar ao se defrontar com um palavreado que não faz
sentido algum para ele. Lembre-se, porém, de que você não
precisa entender profundamente como a metodologia escolhida
pela escola se aplica, mas sim que benefícios ela trará a
você e a seu aprendizado. Afinal, se você estivesse comprando
um carro, provavelmente não precisaria entender, por exemplo,
como funciona o freio ABS, mas sim que diferença você vai
sentir entre um carro que o possui e o outro com um sistema
menos sofisticado.
· Todos dizem ter os melhores professores do mercado. Como
saber se isso não é só discurso? Voltando à questão anterior:
perguntando. Afinal, o que é "o melhor professor"? A imagem
que a empresa tem de um bom professor pode ser totalmente
diferente daquela que você procura em um profissional. Além
disso, sabemos que, com a velocidade das mudanças que ocorrem
hoje em dia no mundo, o melhor profissional é aquele que não
pára e que tem consciência de que nunca estará pronto. Assim,
se a idéia de "melhor professor" que apresentarem a você for
relacionada ao tempo de formação ou "tempo de casa", podem
ocorrer decepções futuras. O melhor profissional é aquele
que se atualiza constantemente.
·
Conhecer as instalações da escola pode ser útil... contudo,
não se deixe enganar por seus olhos...Aprofunde-se, questione
novamente. O importante é que as instalações estejam adequadas
à proposta de ensino: salas pequenas representam um aspecto
positivo ou negativo em relação ao curso? E salas enormes,
com muitas carteiras? Depende da proposta da escola. Você
pode aprender em turmas pequenas, nas quais provavelmente
terá mais atenção do professor ou em turmas maiores, nas quais
terá mais chance de comunicação com um número maior de pessoas,
aumentando as possibilidades de interação e comunicação autêntica.
A atenção a seus problemas e necessidades deve ser um pressuposto
comum, independentemente do número de alunos nas turmas.
·
Recursos extras como vídeo, TV, computador são importantes,
mas, novamente, devem estar inseridos na proposta de ensino
e não servir simplesmente como atrativos ou "iscas" para atrair
alunos (o que, infelizmente, não raro acontece). Se a você
é apresentado um enorme laboratório com equipamentos multimídia
de última geração, não deixe escapar a chance de (mais uma
vez) perguntar: como são utilizados os recursos multimídia?
Quando? Com que finalidade? Fique atento a respostas como:
"estarão a sua disposição, poderá usar quando precisar".
Dificilmente
você sentirá que precisa daquele recurso até o momento em
que, na sua vida real, no dia a dia, se deparar com a situação
em que terá que utilizar a língua juntamente ou a partir daquele
instrumento. Como em qualquer área da educação, devemos educar
para o futuro e sabemos que, já nos dias de hoje, o computador
faz parte de nosso dia a dia. Como ensinar uma língua sem
prever situações em que o aluno terá que utilizar um computador,
seja no trabalho ou em sua vida pessoal? Assim, não basta
ter computador "a sua disposição", o professor deve saber
exatamente o que fazer com ele para ajudar o aluno no processo
de aquisição da língua estrangeira.
Vale lembrar também que deve haver a consciência de que você
não está aprendendo uma língua estrangeira para conversar
com seu professor ou colegas de turma: o objetivo é que você
se comunique nas mais diversas situações que enfrentará fora
da escola e, certamente, essas situações não serão nada parecidas
com uma sala de aula. Os recursos disponíveis devem servir
a este fim: colocá-lo em situações nas quais tenha que utilizar
a língua, preparando-o assim para o mundo que o aguarda fora
das paredes tão seguras e protetoras da sala de aula. Gostaria
de ressaltar que não se trata simulações (o que pode ocorrer
mesmo sem recursos como TV, vídeo e computador...basta simular!).
Refiro-me a colocar o aluno nas situações em que enfrentará:
se existe a TV, você deverá assisti-la e trabalhar, juntamente
com o professor, os problemas que surgirem nesse momento.
Se existe computador, você pode entrar em contato com outras
pessoas, utilizando a língua estrangeira em situações reais
de comunicação ou para fazer pesquisas, redigir cartas comerciais,
emails etc. O mesmo vale para rádio e vídeo: utilizá-los da
maneira como aparecem em seu dia a dia é o melhor uso que
uma escola pode fazer destes recursos.
·
Lembre-se de que seu objetivo é aprender uma outra língua,
assim as avaliações devem de algum modo ajudá-lo a atingir
este fim e não confirmar a velha teoria de que "você não nasceu
para aprender uma outra língua". O método de avaliação deve
envolver todo o processo ensino/aprendizagem e não trazer
números isolados que não possam de alguma maneira ser utilizados
pelo professor/escola para ajudá-lo a desenvolver habilidades
de comunicação. Por isso, evite cursos que aplicam uma avaliação
ao final do semestre e decidem, a partir dela, seu avanço
ou não no processo de aquisição da língua estrangeira em questão.
Tenha sempre em mente que a avaliações contínuas e progressivas
devem servir como uma ferramenta de ajuste de rota e comparação
do seu estágio de desenvolvimento atual com seus estágios
anteriores: comparar você consigo mesmo e não com outros alunos.
Duas
dicas finais:
·
Procure iniciar o estudo com duas ou, no máximo, três aulas
semanais. Aumente o número de aulas somente após ter desenvolvido
alguma habilidade de comunicação, evitando assim que o curso
venha a se tornar um problema em sua vida. Imagine a situação
como uma maratona e não como uma corrida de curta distância:
muitas aulas por semana darão uma sensação de velocidade maior,
quando na verdade o que você precisa para aprender uma língua
estrangeira é persistência, dedicação e determinação: esses
aspectos o levarão mais longe, embora não tão rapidamente.
. Assista pelo menos uma aula antes de tomar uma decisão,
só assim você poderá confirmar se está fazendo a escolha certa.
Roberta
Bento
Especialista
em Ensino de Língua Estrangeira

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