Dicas de Educação

Rute Rodrigues F. Domingues
Psicopedagoga convidada

Por que brincar?

O brinquedo sempre esteve presente na vida da criança, desde os tempos primitivos até os dias de hoje. Sua figura é peça de fundamental importância na construção do mundo infantil.

A partir do nascimento, ou mesmo antes, o desenvolvimento do bebê é influenciado pela qualidade de relações e reações estabelecidas a partir da presença da mãe. Depois disso, a influência virá das relações com o meio e seus objetos, dentro dos quais podemos destacar os brinquedos.

Ao nascer, a criança já manifesta a necessidade de aprender. Ela passa, então, a explorar o mundo que a cerca, até encontrar as primeiras barreiras. Diante dos obstáculos, a criança começa a organizar e construir as estruturas de pensamentos.

As brincadeiras infantis mostram o caminho para a recuperação da inteligência criativa, adormecida ou bloqueada pela compulsiva interferência adulta. Uma interferência que acaba orientando a criança para atividades que reprimem sua fantasia, seus pensamentos, e a busca por respostas e resoluções para os seus problemas.

No ato de brincar, a criança está tendo a oportunidade de desenvolver-se integralmente. Ela experimenta, descobre, inventa e confere suas habilidades. Brincar é indispensável à saúde física, emocional e intelectual da criança. É um ato natural que, quando bem cultivado, contribuirá futuramente para a eficiência e equilíbrio do adulto.

Educação e Brinquedo

As crianças estão indo para a escola cada vez mais cedo. Esta, por sua vez, tende a assumir funções antes delegadas à família, meio gerador onde a criança dispunha de espaço - físico e emocional - necessário para executar sua vontade de explorar, experimentar e se interessar pelo mundo externo. No ambiente familiar, a criança amplia seus horizontes e, por conseqüência, as suas respostas sociais.

Na escola, ao contrário, o espaço de atuação da criança fica limitado. Sua vontade é sistematizada, programas e currículos objetivos lhes trazem verdades prontas. A infância, fase tão rica em vida e descobertas, fica limitada a sistemas de valores de utilidade e inutilidade, ou conceitos como fracasso e sucesso. O lúdico perde espaço. Brinquedo e brincadeira são postos de lado. Na escola, a fantasia é posta de lado.

As atitudes "espontâneas - expressão genuína" do ser são comprometidas pela necessidade de executar ordens pré-determinadas em prazos pré-estabelecidos e de ter um desempenho que assegure posições de acerto e erro...

A escola, então, deve refletir e retomar a questão da ludicidade e da contribuição do pensamento e hipóteses do aluno na construção de conceitos mais amplos e significativos, fundamentada na "Teoria de Construção do Pensamento de Jean Piaget".

É preciso considerar, também, o ambiente do exercício da relação efetiva com o mundo, com as pessoas, com os objetos. Tal idéia parte do princípio de que as atividades escolares devem afastar a monotonia e reforçar a tendência natural do aluno para a exploração e a descoberta. As situações devem ser apresentadas de maneira dinâmica, agradável, pela diversificação de materiais e propostas de pesquisa.

O trabalho escolar deve permitir que, através da experiência, se utilize o raciocínio e a conquista. A criança será também mais objetiva e interessada se o conteúdo trabalhado tiver fins explícitos e se caracterizar um estímulo ativo e significativo para que ocorra o aprendizado.

A proposta curricular deve respeitar o direito da criança de falar, agir, ter consciência de sua ação e do ambiente que a cerca. Ela deve poder brincar, exercitar suas necessidades psicológicas, buscar a solução de problemas e ter um local seguro e efetivo para desenvolver-se.

Para orientar a aprendizagem, é necessário constatar que existem motivos "universais" e constantes no decorrer da vida do ser humano, além de motivos específicos de cada fase de seu desenvolvimento.

Os primeiros já mencionados estão ligados à segurança, garantia de sua individualidade e afeto (ser amado e aceito pelo grupo). Os segundos motivos se relacionam às características físicas e psicológicas de cada fase de seu desenvolvimento.

A aprendizagem faz com que a pessoa ajuste-se ou transforme o meio em que vive, supondo sempre uma mudança de comportamento. O Homem, então, é agente de sua própria existência. Ele é um ser em movimento que adapta continuamente o seu ser e o seu ambiente. E tal fato não deve escapar ao conhecimento de qualquer educador.